quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Reajustes anunciados por Bradesco, Itaú e Santander encarecem o crédito habitacional
Alta dos juros imobiliários preocupa compradores e pode impactar mercado de imóveis em Goiás, alerta especialista
Reajustes anunciados por Bradesco, Itaú e Santander encarecem o crédito habitacional; advogado Diego Amaral, especialista em mercado imobiliário, orienta consumidores sobre riscos contratuais e planejamento financeiro
O sonho da casa própria pode ficar mais caro para milhares de brasileiros. O aumento das taxas de financiamento imobiliário anunciado pelos bancos Bradesco, Itaú e Santander nesta última semana de outubro acendeu um sinal de alerta no setor. A mudança pode afetar diretamente o poder de compra das famílias, reduzir o acesso ao crédito e provocar reflexos no mercado imobiliário de Goiás, especialmente em Goiânia e na Região Metropolitana.
Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os três bancos concentraram aproximadamente 55% do valor financiado para aquisição de imóveis entre janeiro e setembro de 2026. Os reajustes foram atribuídos pelas instituições à elevação dos juros futuros, que refletem as expectativas do mercado financeiro em relação à inflação, às contas públicas e ao desempenho da economia.
No Bradesco, a taxa principal passou de 11,99% para 15% ao ano, acrescida da Taxa Referencial (TR). O Itaú reajustou sua taxa mínima para 12,95% ao ano, enquanto o Santander elevou a taxa inicial de 11,69% para 12,49% ao ano, mais TR.
Para o advogado Diego Amaral, especialista em mercado imobiliário e sócio do escritório Dias e Amaral, o cenário exige cautela por parte dos consumidores que pretendem financiar um imóvel, principalmente diante dos compromissos financeiros assumidos por períodos que podem ultrapassar três décadas.
“O aumento dos juros não representa apenas uma parcela mais cara. Ele interfere diretamente na capacidade de financiamento das famílias e pode comprometer o planejamento patrimonial de longo prazo. O consumidor precisa compreender que está assumindo uma obrigação financeira que terá reflexos durante muitos anos. Por isso, analisar cuidadosamente as condições contratuais é tão importante quanto escolher o imóvel”, explica Diego Amaral.
Mercado imobiliário de Goiás pode sentir os reflexos
O encarecimento do crédito também pode provocar mudanças no comportamento dos consumidores e nas estratégias comerciais de construtoras, incorporadoras e imobiliárias. Em Goiás, onde o mercado imobiliário movimenta diferentes segmentos da economia, o aumento das taxas pode levar compradores a adiar investimentos, buscar imóveis de menor valor ou negociar entradas maiores para reduzir o montante financiado.
Na avaliação do especialista, o momento exige atenção não apenas de quem pretende adquirir a casa própria, mas também dos investidores que utilizam o financiamento como instrumento de aquisição patrimonial.
“Quando o crédito fica mais caro, o comprador naturalmente se torna mais criterioso. Isso pode provocar uma reorganização do mercado, com consumidores buscando melhores oportunidades e empresas precisando apresentar condições comerciais mais atrativas. Em um cenário como esse, a segurança jurídica das negociações ganha ainda mais relevância”, destaca o advogado.
Atenção às cláusulas contratuais
Diego Amaral ressalta que um dos principais cuidados antes de contratar um financiamento é analisar o Custo Efetivo Total (CET), indicador que considera não apenas os juros, mas também seguros, tarifas e demais encargos da operação.
Outro aspecto importante é compreender os índices de atualização do saldo devedor e os sistemas de amortização utilizados pelas instituições financeiras. Essas condições podem representar diferenças significativas no valor final pago pelo imóvel.
“Muitas pessoas concentram sua atenção exclusivamente no valor da prestação mensal e acabam deixando de observar cláusulas que podem ter grande impacto financeiro. É fundamental conhecer os índices de correção, as condições de amortização antecipada, as obrigações contratuais e as consequências de uma eventual inadimplência. A orientação jurídica preventiva pode evitar prejuízos e conflitos futuros”, afirma.
O advogado também chama a atenção para a necessidade de comparar propostas entre diferentes instituições financeiras, considerando que as taxas podem variar conforme o perfil do cliente, o relacionamento bancário e as características da operação.
Perspectivas para 2027
Com a aproximação de 2027, a trajetória dos juros deverá permanecer entre os fatores observados por compradores, investidores e empresas do setor imobiliário. Embora o aumento do custo do financiamento possa desacelerar determinadas negociações, a demanda por moradia e a busca pela formação de patrimônio continuam sendo elementos importantes para a atividade imobiliária.
Para Diego Amaral, o cenário não significa necessariamente que o consumidor deva desistir da compra, mas reforça a necessidade de avaliar o momento financeiro e as condições oferecidas pelo mercado.
“O imóvel continua sendo um bem de grande importância patrimonial. Entretanto, uma boa oportunidade de compra precisa estar acompanhada de condições financeiras sustentáveis e de um contrato juridicamente seguro. Mais do que pressa para fechar negócio, o momento exige informação, planejamento e responsabilidade”, conclui.
Johny Cândido
Jornalista
Registro Profissional nº GO 02807
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