quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Falta de gado aquece leilões e eleva preços de animais na reta final de 2026

Falta de gado aquece leilões e eleva preços de animais na reta final de 2026
Com oferta reduzida e procura aquecida, Guilherme Scatena Neto, proprietário da 3M Leilões, avalia oportunidades de negociação e projeta mercado valorizado em 2027 A redução na oferta de bovinos tem impulsionado os preços e mantido aquecido o mercado de leilões pecuários nesta reta final de 2026. Com menos animais disponíveis e compradores em busca de reposição, alguns lotes chegam a alcançar valores superiores aos esperados pelos vendedores. O cenário exige atenção dos produtores, especialmente daqueles que pretendem adquirir animais nos próximos meses. Segundo Guilherme Scatena Neto, proprietário da 3M Leilões e especialista em comercialização de bovinos, a diminuição no volume de animais ofertados é um dos principais sinais desse movimento. “Estamos vivendo um mercado muito aquecido. Leilões semanais que antes ofertavam cerca de mil cabeças hoje estão trabalhando com 250 a 300 animais, no máximo. Mesmo assim, as vendas têm alcançado praticamente 100% dos lotes, muitas vezes com preços que surpreendem até os próprios vendedores”, afirma. A valorização da arroba do boi gordo também influencia as negociações. Com a expectativa de preços mais altos, parte dos pecuaristas prefere manter os animais na propriedade, reduzindo a oferta. Guilherme avalia que a possibilidade de a arroba ultrapassar R$ 400 pode pressionar ainda mais os valores da reposição. “O produtor precisa ter cautela, mas quem realmente precisa repor o rebanho deve avaliar o custo de esperar. Se a arroba continuar subindo, essa valorização tende a chegar ao gado de reposição, e o animal que ele deixa de comprar hoje pode custar mais caro daqui a alguns meses”, explica. Outro fator apontado pelo especialista é o elevado abate de fêmeas nos últimos anos, que reduziu o número de matrizes destinadas à reprodução e, consequentemente, a disponibilidade de bezerros. Esse movimento ajuda a explicar a escassez atual e a dificuldade de recomposição dos rebanhos. Apesar dos preços elevados, o fim do ano ainda pode apresentar oportunidades pontuais de negociação, especialmente entre produtores que precisam reorganizar suas finanças. Já a oferta de animais de maior qualidade genética tende a ser mais restrita, uma vez que muitas fêmeas estão próximas do período de parição e a chegada antecipada das chuvas favorece sua permanência nas propriedades. “Podem surgir boas oportunidades quando existe a necessidade de ajustar o caixa da fazenda. Mas, no caso dos animais de genética, acredito que a oferta será pequena neste fim de ano. Muitos criadores estão com fêmeas próximas de parir e, com as condições de pasto mais favoráveis, não precisam colocar esses animais à venda”, destaca. Para 2027, Guilherme acredita que a oferta limitada continuará sustentando a procura nos leilões, principalmente nos primeiros meses do ano. A expectativa é que os eventos com maior disponibilidade de animais encontrem condições favoráveis de comercialização. “Acredito que 2027 será um ano muito aquecido para os leilões. A falta de gado não deve ser resolvida rapidamente, e os eventos que conseguirem reunir bons volumes de animais terão uma procura importante. Nossa expectativa é de comercialização entre 95% e 100% dos lotes ofertados, principalmente no primeiro terço do ano”, projeta. O especialista explica que a recuperação da oferta depende do ciclo reprodutivo da pecuária. Com a valorização dos bezerros, a tendência é que os criadores retenham mais fêmeas para reprodução, mas os resultados desse movimento podem levar aproximadamente dois anos para chegar ao mercado. “Para aumentar a oferta de bezerros, o produtor precisa manter mais matrizes, realizar a reprodução, esperar a gestação e depois o desmame. Por isso, acredito que ainda teremos restrição de oferta em 2027 e que uma normalização mais perceptível poderá começar a partir de 2028”, conclui. @3mleiloes

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Alta do boi gordo anima pecuária, mas custos de produção preocupam na reta final de 2026​

Alta do boi gordo anima pecuária, mas custos de produção preocupam na reta final de 2026 Presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã, Edg...