quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Alta do boi gordo anima pecuária, mas custos de produção preocupam na reta final de 2026​

Alta do boi gordo anima pecuária, mas custos de produção preocupam na reta final de 2026
Presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã, Edgard Scatena Filho avalia os impactos do consumo, das exportações e da reposição de animais sobre a rentabilidade do produtor e as perspectivas para 2027 A pecuária brasileira chega à reta final de 2026 com perspectivas de valorização do boi gordo, impulsionadas pela demanda interna e pelas exportações. O cenário, porém, exige atenção dos produtores. O aumento no preço dos animais de reposição e as oscilações nos custos de alimentação podem comprometer a rentabilidade, mesmo em um período de mercado aquecido. Para o médico-veterinário, produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã, Edgard Scatena Filho, o momento é favorável, mas a valorização da arroba não garante, por si só, melhores resultados financeiros. “O mercado está favorável, mas isso não significa que o produtor possa baixar a guarda. Os custos de produção continuam oscilando e a reposição está cara. É preciso fazer contas, acompanhar o mercado e utilizar mecanismos de proteção para preservar as margens”, avalia. A proximidade das festas de fim de ano, período tradicionalmente marcado pelo aumento do consumo de carne, pode contribuir para sustentar os preços em novembro e dezembro. Além da demanda doméstica, Edgard aponta as exportações como um dos principais fatores de influência sobre o valor recebido pelo pecuarista. “O fim do ano costuma trazer um aumento no consumo, e isso favorece o mercado. Ao mesmo tempo, temos a perspectiva de ampliação das vendas internacionais, com novos mercados e a demanda de compradores tradicionais, como a China. Esses fatores podem contribuir para manter a arroba em patamares favoráveis”, explica. A procura internacional também interfere na disponibilidade de carne para o mercado brasileiro. Entretanto, uma eventual valorização do boi gordo não significa aumento imediato e na mesma proporção para o consumidor, já que o preço nos supermercados envolve custos de processamento, transporte e comercialização. Dentro das propriedades, a principal preocupação está na relação entre o valor de venda dos animais e as despesas necessárias para produzi-los. O preço elevado dos bezerros e dos grãos utilizados na alimentação exige atenção especial de quem trabalha com recria, engorda e confinamento. “Quem compra um animal de reposição mais caro e ainda precisa arcar com uma dieta de custo elevado deve acompanhar cada despesa. O confinador, principalmente, precisa avaliar o preço dos grãos e calcular o custo da arroba produzida. Sem esse controle, mesmo em um mercado valorizado, existe risco de prejuízo”, alerta.
Para 2027, Edgard projeta perspectivas positivas para os preços da arroba, mas considera que a eficiência produtiva será determinante para os resultados. Entre as medidas recomendadas estão investimentos em genética, recuperação de pastagens, suplementação estratégica e controle sanitário, além do uso de tecnologias para monitorar o desempenho dos animais. “Precisamos investir em genética de qualidade, melhorar as pastagens e manter programas sanitários eficientes. A tecnologia também precisa estar presente na propriedade, desde o monitoramento do peso dos animais até o controle das atividades. O produtor que acompanha seus números consegue tomar decisões melhores”, afirma. O especialista também chama atenção para a importância da rastreabilidade e das certificações, diante das exigências dos mercados compradores. “Cada vez mais, o mercado exige eficiência, controle e responsabilidade na produção. Precisamos acompanhar essas mudanças para produzir melhor, atender aos compradores e manter a competitividade da pecuária brasileira”, conclui. @sindicatoruralitapirapua @edgardscatenafilho Panorama Goias comunicação / Imprensa

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