terça-feira, 11 de agosto de 2026

O erro invisível da escovação: por que manter os hábitos da infância na vida adulta ameaça a saúde bucal

O erro invisível da escovação: por que manter os hábitos da infância na vida adulta ameaça a saúde bucal Especialista explica como adaptar a escova de dentes, o fio dental e os cuidados com a higiene bucal em cada fase da vida para prevenir gengivite, retração gengival, cárie e boca seca
A maioria das pessoas escolhe a escova de dentes da mesma forma há anos, sem considerar que a saúde bucal muda ao longo da vida. Embora esse hábito pareça inofensivo, utilizar a mesma escova e manter a mesma rotina de higiene bucal da infância pode aumentar o risco de problemas como gengivite, retração gengival, sensibilidade dentária, cárie e boca seca. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE), cerca de 46% dos adultos brasileiros não utilizam escova, pasta e fio dental de forma combinada, evidenciando um déficit histórico no hábito de higiene preventiva no país. “A necessidade de adaptar as ferramentas de higiene bucal não é uma questão estética, mas de biologia aplicada. escolha da escova de dentes, do fio dental e dos demais produtos de higiene bucal precisa evoluir conforme a idade e as necessidades de cada pessoa”, explica a Dra. Brunna Bastos, mestre e cirurgiã-dentista pela Faculdade de Odontologia da USP e especialista da GUM. Infância e juventude: a barreira contra o açúcar e as alterações hormonais Na infância, o desafio central é a prevenção de cárie no esmalte em maturação. Já na adolescência, a tempestade hormonal da puberdade altera a vascularização da gengiva. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a gengivite atinge mais de 75% dos adolescentes, estimulada pela combinação de flutuações hormonais e higiene inadequada. Vida adulta: o custo do estresse, do bruxismo e da força excessiva Na fase adulta, o estresse do cotidiano torna-se o principal vilão para a saúde bucal. O hábito involuntário de ranger ou apertar os dentes (bruxismo) gera microtraumas e retração gengival. “Se o adulto continuar usando uma escova de cerdas médias ou duras, achando que "força é sinal de limpeza", ele acelera o desgaste do esmalte e expõe a dentina”, explica a especialista. Dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 50% dos adultos brasileiros entre 35 e 44 anos possuem algum grau de sangramento ou inflamação gengival, problema frequentemente agravado pelo uso incorreto do fio dental ou por escovas inadequadas. Terceira idade: a epidemia da boca seca e o risco de cárie de raiz Com o envelhecimento, o principal gargalo é a xerostomia (sensação de boca seca). Uma revisão sistemática publicada no Journal of the American Dental Association (JADA) aponta que 1 em cada 4 idosos sofre de xerostomia, condição agravada pelo uso contínuo de medicamentos para hipertensão, diabetes ou depressão. A saliva é o protetor natural da boca, responsável por neutralizar ácidos e remineralizar os dentes. Sem ela, idosos desenvolvem uma proliferação acelerada de bactérias, levando a cárie mais agressiva e inflamações graves ao redor de implantes e próteses. Nessa etapa, as escovas tradicionais perdem totalmente a eficiência. Segundo a Dra. Brunna Bastos, adaptar os produtos de higiene bucal às diferentes fases da vida é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças bucais e manter a saúde dos dentes e gengiva. "Não existe uma única escova de dentes ideal para todas as pessoas. O tamanho da cabeça, a maciez das cerdas e os recursos de limpeza interdental devem acompanhar as mudanças naturais do organismo. Cuidar da saúde bucal significa entender que cada fase da vida exige necessidades diferentes." Por Ester Jacopetti GUM

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