quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Outubro Rosa: além do tratamento, o câncer de mama também exige cuidado com as emoções

Outubro Rosa: além do tratamento, o câncer de mama também exige cuidado com as emoções Psicanalista explica como pacientes e familiares podem lidar com medo, ansiedade e mudanças provocadas pelo diagnóstico e pelo tratamento O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil. Para o triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 78,6 mil novos casos por ano no país. Entre as mulheres, a doença representa aproximadamente 30% dos casos novos de câncer. Durante o Outubro Rosa, a atenção costuma se concentrar na prevenção, na importância do diagnóstico precoce e no acesso ao tratamento. Mas existe uma outra dimensão que também merece espaço: como lidar emocionalmente com o impacto que o câncer provoca na vida da paciente e de toda a família? Receber um diagnóstico de câncer pode despertar medo, insegurança, ansiedade e uma série de dúvidas sobre o futuro. Para quem está ao redor, o desafio também pode ser grande. Filhos, companheiros, pais, irmãos e amigos muitas vezes passam a viver uma rotina de preocupação e nem sempre sabem como oferecer apoio sem transformar o cuidado em excesso de cobrança ou proteção. “A doença não atinge somente o corpo. Ela também pode provocar uma ruptura na maneira como a pessoa se percebe, se relaciona e imagina o próprio futuro. Por isso, é importante que exista espaço para falar sobre o medo, a tristeza, a raiva e todas as emoções que podem aparecer durante esse processo”, explica Araceli Albino, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo. Segundo a psicanalista, buscar apoio emocional não significa abandonar o tratamento médico ou acreditar que a força psicológica, sozinha, seja responsável pela recuperação. O acompanhamento emocional pode funcionar como um espaço de acolhimento para que a pessoa consiga elaborar aquilo que está vivendo e encontre maneiras de atravessar cada etapa do tratamento. O cuidado também pode se estender aos familiares. Muitas vezes, quem acompanha uma pessoa com câncer tenta demonstrar força o tempo todo e acaba deixando as próprias emoções de lado. “O familiar também pode sentir medo, angústia e impotência. Reconhecer esses sentimentos não significa ser fraco ou deixar de apoiar quem está doente. Pelo contrário, cuidar da própria saúde emocional pode ajudar essa pessoa a estar mais presente e disponível”, afirma Araceli. Nem sempre é preciso encontrar as palavras certas Diante de alguém que recebeu um diagnóstico de câncer, familiares e amigos podem ter dificuldade para saber o que dizer. Na tentativa de incentivar, frases como “você precisa ser forte” ou “vai dar tudo certo” podem acabar criando uma cobrança involuntária para que a pessoa esconda sentimentos difíceis. Para Araceli, mais importante do que encontrar uma frase perfeita é oferecer escuta e presença. Permitir que a pessoa fale sobre seus medos, respeitar seus momentos de silêncio e perguntar de que maneira ela gostaria de ser ajudada podem ser atitudes mais acolhedoras. O Ministério da Saúde também destaca a importância do apoio de amigos e familiares para pessoas que enfrentam o câncer, reforçando que o cuidado emocional faz parte do suporte ao paciente. Cuidar da mente também pode fazer parte da jornada A psicanálise pode ser um espaço para que pacientes e familiares encontrem acolhimento durante esse período. Na Clínica Ana Joaquina, ligada à atuação de Araceli Albino, são oferecidos atendimentos terapêuticos. O valor das sessões é definido após uma triagem inicial, de acordo com as condições e necessidades apresentadas. A proposta é oferecer um espaço de escuta para quem está enfrentando as mudanças provocadas pelo diagnóstico, pelo tratamento ou pela convivência próxima com alguém que está passando por essa experiência. “O mais importante é compreender que não existe uma maneira única ou correta de reagir ao diagnóstico. Cada pessoa vai elaborar essa experiência de uma forma. Ter um espaço onde possa falar sem julgamentos pode fazer diferença para atravessar esse momento”, completa Araceli. O Outubro Rosa, portanto, também pode ser um convite para ampliar a conversa. Além de lembrar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, a campanha pode ajudar a reforçar que cuidar de quem enfrenta o câncer também significa olhar para suas emoções, seus medos e suas relações. Afinal, o tratamento acontece no corpo, mas a experiência da doença envolve a pessoa inteira e também aqueles que caminham ao seu lado. Telma Cascello

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