quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Novas tecnologias na estética: o que realmente funciona?
Em meio ao hype das novas tecnologias, dermatologista defende critérios objetivos para avaliar o que realmente funciona
Evidência científica, segurança, indicação e aplicação clínica estão entre os critérios para avaliar equipamentos como o XERF, que utiliza duas frequências de radiofrequência monopolar
A chegada de novas tecnologias à dermatologia estética ampliou as possibilidades de tratamento do envelhecimento da pele, mas também tornou mais complexa a escolha dos equipamentos pelos profissionais. Em um mercado no qual novidades ganham visibilidade nas redes sociais e despertam o interesse dos pacientes, uma questão se torna central, o que de como diferenciar uma inovação com respaldo científico de uma tendência impulsionada principalmente pelo marketing.
Um exemplo é o XERF, equipamento de radiofrequência monopolar que utiliza duas frequências, de 6,78 MHz e 2 MHz. Lançada na Coreia do Sul em 2024, a tecnologia passou a integrar o debate sobre os avanços nos tratamentos estéticos e os critérios que devem orientar a incorporação de novos equipamentos aos consultórios.
Para o dermatologista Dr. Bones, a decisão de investir em uma tecnologia deve considerar quatro aspectos principais: evidência científica, segurança, indicação e aplicação prática. A análise também envolve a credibilidade do fabricante e a capacidade do equipamento de acrescentar benefícios às opções de tratamento já disponíveis.
“Não basta perguntar se uma tecnologia funciona. É preciso perguntar se ela tem evidência de que funciona, quem está por trás dela e, principalmente, se acrescenta alguma coisa ao que eu já faço”, afirma.
A análise também inclui o histórico do fabricante, o investimento em pesquisa e desenvolvimento, além dos riscos e das limitações do equipamento. Outro fator determinante é a indicação para cada paciente, já que uma tecnologia pode apresentar resultados sem ser adequada a todos os casos.
Além dos aspectos clínicos, o médico avalia se a novidade oferece benefícios adicionais em relação aos equipamentos que já utiliza. “Às vezes, o equipamento entrega praticamente o mesmo resultado de uma tecnologia que o médico já possui. Por isso, preciso avaliar se ele realmente acrescenta algo aos tratamentos que ofereço e se faz sentido para o perfil dos meus pacientes”, afirma.
No caso do XERF, Dr. Bones afirma que sua decisão de investir no equipamento foi precedida por uma análise que reuniu literatura científica, conversas com médicos que já utilizavam a tecnologia no exterior e experiência prática.
O principal diferencial que despertou seu interesse foi a combinação de duas frequências de radiofrequência monopolar, de 6,78 MHz e 2 MHz. “ A proposta é trabalhar diferentes profundidades dos tecidos, considerando que o envelhecimento facial envolve não apenas a superfície da pele, mas também estruturas mais profundas”, acrescenta.
O dermatologista relata que leu artigos científicos sobre a tecnologia, conversou com profissionais e pacientes no exterior e viajou aos Estados Unidos para experimentar o procedimento na própria pele antes de tomar sua decisão. “A experiência pessoal fez parte da avaliação, mas não substitui evidências clínicas produzidas por estudos controlados. Para determinar a eficácia e a segurança de uma tecnologia, é necessário considerar o conjunto das pesquisas disponíveis e suas limitações”.
Quando o hype influencia a decisão médica
A exposição nas redes sociais, a participação de personalidades conhecidas em campanhas e a procura dos pacientes podem aumentar a pressão para que os consultórios incorporem equipamentos recém-lançados.
Para Dr. Bones, o problema não está necessariamente em uma tecnologia se tornar tendência, mas em permitir que a popularidade substitua a análise crítica. “O médico precisa avaliar se existe demanda real, se o equipamento oferece benefícios relevantes e se o investimento faz sentido para o perfil de pacientes atendidos.Quem vai pagar os boletos depois que o hype passar é ele”, afirma o dermatologista, ao destacar que a visibilidade de uma tecnologia não garante retorno financeiro para a clínica.
Mesmo quando há evidências favoráveis, a utilização de um equipamento exige conhecimento técnico e avaliação individual. Protocolos precisam ser compreendidos e aplicados considerando as características anatômicas, as necessidades e os objetivos de cada paciente, sempre respeitando os parâmetros de segurança.
“Para o paciente, o caminho é perguntar sobre a indicação do procedimento, as evidências que sustentam sua utilização, os possíveis riscos e os resultados realisticamente esperados”, resume Dr. Bones.
Em um mercado marcado pela chegada constante de novidades, identificar o que realmente funciona exige olhar além da divulgação. A ciência disponível, a segurança, a indicação correta e a aplicação clínica são elementos essenciais para avaliar se uma tecnologia representa uma opção relevante de tratamento.
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