quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Emagrecer depois dos 60 exige cuidados; entenda
Emagrecimento depois dos 60 pode não ser tão simples quanto parece: entenda os riscos e cuidados
Dietas restritivas e perda rápida de peso podem comprometer a saúde, a força e a autonomia na terceira idade, alerta nutricionista
Emagrecer costuma ser associado a benefícios para a saúde, mas, depois dos 60 anos, a perda de peso exige cuidados específicos. Nessa fase da vida, reduzir drasticamente a alimentação, fazer jejuns prolongados ou seguir dietas sem acompanhamento pode levar à falta de proteínas, energia e micronutrientes importantes para o organismo.
De acordo com a nutricionista Pammela Vilela (CRN 23035), da Clínica Nutricor, o objetivo do emagrecimento na terceira idade não deve ser apenas fazer a balança baixar. É necessário avaliar a condição geral do paciente e preservar sua força, funcionalidade e independência.
“Uma perda de peso inadequada pode levar à perda de massa muscular, fraqueza, maior risco de quedas, piora da autonomia e até aumentar o risco de desnutrição”, explica.
Com o envelhecimento, o organismo passa naturalmente por mudanças que podem afetar a composição corporal e a capacidade funcional. Por isso, uma restrição calórica muito agressiva pode trazer consequências diferentes das observadas em adultos mais jovens.
Segundo Pammela, o primeiro passo é entender o que está sendo perdido durante o emagrecimento. A redução do peso precisa estar relacionada principalmente à diminuição do excesso de gordura, sem comprometer o estado nutricional.
A especialista destaca que diretrizes da ESPEN recomendam que estratégias de perda de peso sejam consideradas principalmente para idosos com obesidade associada a problemas de saúde e que o processo seja combinado à prática de exercícios.
Erros comuns
Um dos erros mais comuns é acreditar que, para perder peso, basta reduzir cada vez mais a quantidade de comida. Jejuns prolongados, pular refeições, retirar grupos alimentares e substituir refeições completas por alimentos de baixo valor energético podem fazer o peso cair, mas também dificultar o consumo adequado de nutrientes. “Quando a ingestão fica muito reduzida, pode faltar proteína, energia e micronutrientes importantes”, alerta a nutricionista.
A proteína tem papel importante nesse processo e deve estar presente de maneira adequada ao longo do dia. Porém, ela não deve ser analisada isoladamente. A alimentação também precisa fornecer energia, vitaminas, minerais e líquidos em quantidade suficiente.
A atividade física, especialmente os exercícios de força, também integra esse cuidado e deve ser adaptada às condições clínicas e à capacidade funcional de cada idoso.
Em situações específicas, as necessidades proteicas podem ser maiores. Diretrizes da ESPEN, por exemplo, utilizam metas de 1,2 a 1,5 grama de proteína por quilo de peso corporal por dia para idosos hospitalizados com múltiplas doenças e necessidade de suporte nutricional. A recomendação, entretanto, não significa que essa quantidade seja indicada para todos.
A necessidade individual deve considerar fatores como estado nutricional, função renal, doenças associadas e nível de atividade física.
Outro ponto que merece acompanhamento é o uso de medicamentos que reduzem o apetite e aumentam a sensação de saciedade.
Para a nutricionista, quando esse tipo de tratamento é indicado, ele precisa estar inserido em um planejamento que garanta a ingestão adequada de nutrientes. Isso porque a redução da fome pode fazer com que o idoso passe a consumir volumes muito pequenos de comida.
“O medicamento, quando indicado, precisa fazer parte de um tratamento estruturado. Não podemos aproveitar a falta de fome para simplesmente deixar o idoso sem comer”, afirma Pammela.
A perda de peso involuntária, rápida ou acompanhada por uma redução importante da alimentação deve ser investigada. Em vez de representar uma melhora na saúde, ela pode estar relacionada a problemas nutricionais ou outras condições que precisam de avaliação.
Entre os sinais que merecem atenção estão cansaço excessivo, redução da força, dificuldade para realizar atividades que antes eram simples, quedas frequentes, perda significativa do apetite e redução progressiva da massa muscular.
“Às vezes, a família comemora porque o idoso ‘emagreceu’, mas aquela perda pode não ser de gordura. Pode existir perda muscular ou até um quadro de desnutrição associado”, explica.
Avaliação
Para avaliar se o emagrecimento está acontecendo de maneira adequada, o peso corporal não deve ser o único indicador. O acompanhamento pode incluir composição corporal, circunferências, força, capacidade funcional, ingestão alimentar, hidratação, exames laboratoriais, possíveis deficiências nutricionais, doenças existentes e medicamentos em uso.
O cuidado também pode envolver uma equipe multidisciplinar. Médico e nutricionista têm papéis importantes, enquanto fisioterapeuta ou profissional responsável pela prescrição e supervisão de exercícios pode integrar o acompanhamento de acordo com as necessidades do paciente.
Para Pammela, uma pergunta fundamental durante esse processo é: “Esse paciente está ficando apenas mais leve ou está ficando metabolicamente mais saudável, forte e independente?”
A especialista finaliza orientando que antes de iniciar uma dieta restritiva, jejum ou qualquer estratégia para perda de peso, a orientação profissional é fundamental. “A conduta deve levar em conta as características individuais, as condições clínicas, a alimentação, os medicamentos utilizados e o nível de atividade física”.
WP Conectada
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Emagrecer depois dos 60 exige cuidados; entenda
Emagrecimento depois dos 60 pode não ser tão simples quanto parece: entenda os riscos e cuidados Dietas restritivas e perda rápida de pes...
-
O cerimonialista José Bomfim (D)esteve no último dia 16 de outubro, em Palmas (TO), prestigiando o lançamento do livro Palmas – Detalhes da ...
-
Na tarde desta sexta-feira (31), a WV Maldi e a OSC Mundo Mulher** entregaram as doações da Campanha Lenço Solidário ao Hospital Araújo Jorg...
-
IA na Arquitetura O design Diego Miranda (à esquerda) e o arquiteto Zeh Pantarolli vieram de Curitiba para realizar palestra sobre uso da...
Nenhum comentário:
Postar um comentário