terça-feira, 1 de setembro de 2026

Problemas de visão podem afetar o aprendizado e passar despercebidos na infância

Problemas de visão podem afetar o aprendizado e passar despercebidos na infância Nem sempre dificuldades de aprendizagem estão relacionadas à falta de esforço, interesse, déficit cognitivo ou transtorno de atenção do aluno Quase três em cada dez brasileiros com idade entre 15 e 64 anos são considerados analfabetos funcionais. Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024, 29% da população dessa faixa etária apresenta dificuldades para compreender e utilizar informações escritas e numéricas em situações cotidianas, enquanto apenas 10% alcança o nível proficiente em leitura, escrita e matemática. O cenário reforça a importância de identificar, ainda na infância, fatores que podem comprometer o desenvolvimento da leitura. Isso porque dificuldades de aprendizagem nem sempre estão relacionadas à falta de esforço, interesse, déficit cognitivo ou transtorno de atenção do aluno, mas em problemas de visão que podem estar atrapalhando as crianças. No ambiente escolar, os professores têm papel importante na identificação de sinais que podem indicar alguma dificuldade, especialmente durante atividades de leitura e escrita. Este é o alerta da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO), que neste mês inclusive realizou uma sensibilização aos professores da rede municipal de ensino. “Nem sempre uma dificuldade de aprendizagem é preguiça ou falta de inteligência. Às vezes, existe um obstáculo invisível. Antes de pensar que é falta de esforço ou desinteresse, é preciso entender como a leitura se desenvolve e investigar o que pode estar dificultando esse processo”, afirma o presidente da SGO, oftalmologista Leiser Franco. O presidente da SGO explica que problemas visuais podem dificultar o foco, o acompanhamento das linhas, a percepção de detalhes e a manutenção da atenção durante a leitura. Como essas alterações nem sempre são percebidas imediatamente, a dificuldade pode ser confundida com desinteresse, falta de dedicação e até algum déficit cognitivo. “Quanto antes entendermos como a leitura funciona, mais cedo conseguiremos ajudar a criança e mudar sua trajetória escolar”, conclui Dr. Leiser. Ele acrescenta que os familiares responsáveis pelas crianças devem obedecer um protocolo de saúde ocular de prevenção desde o primeiro “teste do olhinho”, realizado até 72 horas de vida, sendo repetido até um ano em todos os exames de rotina. Após essa etapa, entre 6 e 12 meses, deve ser feita a primeira avaliação oftalmológica completa realizada por um oftalmologista para checar o fundo de olho, alinhamento e estruturas oculares. E, dos 3 anos até 5 anos, deve ser feito pelo menos um exame oftalmológico completo focando na acuidade visual, estrabismo e ambliopia, popularmente conhecido como "olho preguiçoso". *Aquisição da leitura comprometido* A leitura fluente envolve ler sem soletrar, com velocidade, ritmo e entonação adequados, além de compreender e interpretar o conteúdo. É nessa fase que a criança deixa de apenas aprender a ler e passa a utilizar a leitura como ferramenta para adquirir novos conhecimentos. O oftalmologista observa que, enquanto a criança desenvolve a linguagem oral naturalmente, por meio da escuta, da repetição e da convivência, a leitura e a escrita precisam ser ensinadas de maneira gradual e sistemática. “A criança aprende a relacionar letras e sons, depois junta as letras em sílabas, formam pequenas palavras e, aos poucos, passa a ler frases e textos. Esperamos que, por volta dos nove anos, ela já tenha uma leitura fluente”, explica. Quando a leitura não é fluente, o rendimento escolar tende a cair. “A criança se cansa rapidamente, perde a atenção, tem a autoestima afetada e pode receber rótulos injustos”, alerta Dr. Leiser.
Presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO), Leiser Franco, fala sobre a importância de conhecer sinais sutis de dificuldades na visão logo na infância Divulgação COMUNICAÇÃO SEM FRONTEIRAS

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