quarta-feira, 9 de setembro de 2026
I.A pode ampliar agilidade no atendimento dos Cartórios
Inteligência artificial pode ampliar agilidade no atendimento dos Cartórios de Registro Civil
Artigo publicado na revista Registrando o Direito analisa uso de chatbots e aponta que modernização dos serviços deve manter o atendimento humanizado
A inteligência artificial (IA) vem sendo discutida como uma ferramenta capaz de modernizar o atendimento nos Cartórios de Registro Civil, especialmente por meio de chatbots. Essas ferramentas podem automatizar respostas, facilitar o acesso a informações registrais e tornar determinadas demandas mais ágeis. Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico traz um desafio: garantir que a busca por eficiência não afaste o cidadão do atendimento humano.
A discussão é abordada pelo tabelião substituto do Cartório Bruno Quintiliano, Weider Silva Pinheiro, em artigo publicado na revista Registrando o Direito, com o título “Ferramentas de IA no atendimento ao público: o uso de chatbots nos Cartórios de Registro Civil”. O trabalho analisa as possibilidades e os cuidados relacionados à adoção da inteligência artificial nas serventias extrajudiciais.
Tecnologia como ferramenta de apoio
De acordo com o estudo, os chatbots podem auxiliar na automatização de demandas de atendimento e no acesso a informações registrais. A ferramenta pode contribuir para agilizar processos e otimizar fluxos, desde que seu uso seja acompanhado de critérios que preservem a qualidade e a segurança do serviço.
A tecnologia também pode contribuir para ampliar o acesso à informação, já que sistemas automatizados podem funcionar de maneira contínua. Com isso, a ferramenta pode ampliar o acesso do cidadão a informações registrais e tornar determinadas etapas do atendimento mais ágeis.
Para o conselheiro da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de Goiás (Arpen-GO), vice-presidente da Arpen Brasil, presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado de Goiás (Anoreg-GO) e tabelião em Aparecida de Goiânia, Bruno Quintiliano, a incorporação de novas tecnologias faz parte da evolução natural dos serviços extrajudiciais.
“A tecnologia precisa acompanhar as necessidades da sociedade. Se uma ferramenta consegue facilitar uma orientação, reduzir o tempo de espera e tornar uma informação mais acessível, ela pode ser muito positiva para o cidadão e também para o próprio cartório”, afirma.
Atendimento humano continua essencial
Apesar das possibilidades oferecidas pela IA, o artigo chama atenção para os limites da automação. Os Cartórios de Registro Civil lidam diariamente com momentos importantes da vida das pessoas, como nascimento, casamento e óbito. Por isso, nem todas as situações podem ser tratadas apenas por respostas automáticas.
Nesse cenário, a inteligência artificial deve atuar como instrumento de apoio, e não como substituta da relação entre o cidadão e o profissional do cartório. A proposta é utilizar a tecnologia para tornar processos mais rápidos e eficientes, preservando a possibilidade de atendimento humano sempre que a situação exigir.
“Por trás de cada registro existe uma pessoa e uma história. A modernização dos cartórios não pode significar a perda desta percepção. Podemos automatizar aquilo que é repetitivo, mas precisamos manter o olhar humano principalmente nas situações que envolvem dúvidas, dificuldades ou momentos sensíveis para o cidadão”, destaca Bruno.
Inclusão digital é um dos desafios
Outro ponto destacado pelo estudo é a necessidade de garantir que a digitalização não crie novas barreiras de acesso aos serviços. Pessoas com pouca familiaridade com ferramentas tecnológicas ou que enfrentam dificuldades para acessar a internet podem ter problemas para utilizar sistemas automatizados.
Por isso, a adoção da inteligência artificial deve vir acompanhada de mecanismos de compensação, acessibilidade e alternativas que garantam o atendimento de diferentes perfis de usuários. A tecnologia pode ampliar o acesso à informação, mas não deve criar obstáculos para quem ainda depende de formas tradicionais de atendimento.
Na avaliação de Bruno, esse cuidado é fundamental para que a modernização seja, de fato, voltada ao cidadão. “Não podemos pensar em inovação apenas como substituir uma pessoa por uma máquina. Inovar é melhorar o serviço. E melhorar o serviço significa pensar em todos os usuários, inclusive aqueles que ainda precisam do atendimento presencial ou de uma orientação mais próxima”, pontua.
Segurança e responsabilidade
O uso da inteligência artificial nos cartórios também exige atenção à segurança das informações e à responsabilidade sobre as orientações fornecidas pelos sistemas. Como as serventias trabalham com atos registrais e informações que possuem implicações jurídicas, a automação precisa respeitar as normas que regulamentam a atividade.
O estudo aponta, portanto, que a implantação de chatbots e outras ferramentas de IA deve ser acompanhada de critérios técnicos, jurídicos e éticos. A tecnologia pode auxiliar na rotina dos cartórios, mas não deve substituir a análise profissional em situações que exigem avaliação jurídica ou envolvam atos registrais sensíveis.
“A inteligência artificial pode nos ajudar a entregar um serviço mais rápido, organizado e acessível, mas segurança jurídica e responsabilidade continuam sendo indispensáveis. O avanço tecnológico precisa caminhar junto com esses princípios”, ressalta Bruno.
Modernização sem perder o propósito
A análise apresentada no artigo conclui que a inteligência artificial representa uma tendência de modernização dos serviços públicos e pode ser incorporada aos Cartórios de Registro Civil, desde que sua utilização seja acompanhada de critérios éticos, jurídicos e de acessibilidade. O desafio está em encontrar um equilíbrio entre automação, eficiência e atendimento humanizado.
Para Bruno Quintiliano, a transformação tecnológica deve ter como ponto de partida justamente aquilo que permanece no centro da atividade extrajudicial: o cidadão. “Os sistemas podem mudar, os procedimentos podem evoluir e novas ferramentas podem surgir. O que não pode mudar é o compromisso de colocar o cidadão no centro do serviço. A tecnologia deve estar a serviço das pessoas, e não o contrário.”
Assim, a inteligência artificial pode contribuir para tornar os serviços registrais mais ágeis e acessíveis, sem que a modernização represente a perda do atendimento humanizado. O desafio é fazer com que a tecnologia seja utilizada como ferramenta de apoio, preservando a segurança jurídica, a acessibilidade e a relação entre o cidadão e os profissionais dos cartórios.
Johny Cândido
Assessor de imprensa - Jornalista
Registro Profissional nº GO 02807
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