sábado, 26 de setembro de 2026
Entenda como foi a captação de órgãos do bebê mais jovem já registrada em Goiás
Entenda como foi a captação de órgãos do bebê mais jovem já registrada em Goiás
Interlocução entre Unimed Goiânia e Unimed Rio Verde viabilizou a cessão de estrutura para o procedimento, que costuma ocorrer apenas em unidades públicas
A primeira captação de órgãos de um recém-nascido em Goiás, realizada no dia 17 de setembro, no Hospital Unimed Rio Verde, revelou um detalhe pouco conhecido do processo de doação em hospitais privados. Normalmente, pacientes em processo de doação são transferidos para unidades da rede pública para a retirada dos órgãos. Nesse procedimento, a Unimed Rio Verde cedeu gratuitamente a estrutura necessária, em uma articulação conduzida junto à Unimed Goiânia, enquanto a Central Estadual de Transplantes enviou a equipe habilitada para a captação.
Segundo a gerente estadual de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), Katiuscia Christiane Freitas, a realização em uma unidade de saúde com estrutura adequada contribuiu para o resultado final. "Transferir um doador de hospital, principalmente na idade deste bebê, é muito arriscado, porque a pessoa em morte encefálica pode ter uma parada cardíaca a qualquer momento. Ter a estrutura de um hospital como o da Unimed Rio Verde disponível para esse tipo de procedimento fez toda a diferença para a segurança do processo", explica.
Os critérios que tornam a doação pediátrica um processo raro
O bebê, de 29 dias, é o doador mais jovem já registrado no estado, até então, o recorde eram dois casos de bebês de três meses. Segundo Katiuscia, o diagnóstico de morte encefálica pode ser aberto a partir de sete dias de vida, seguindo resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), mas os critérios para essa faixa etária são mais rígidos que os aplicados a adultos.
Concluído o diagnóstico, a equipe da Central Estadual de Transplantes avaliou a elegibilidade para doação. Segundo Katiuscia, quanto menor a criança, mais difícil é encontrar compatibilidade de tamanho e complexidade com possíveis receptores. Nesse caso, os dois rins foram captados em bloco e destinados a um único receptor compatível em outro estado, identificado por meio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que organiza um ranking pediátrico a nível nacional. Por ter um tempo de viabilidade de até 36 horas fora do corpo, o órgão pôde ser transportado em voo comercial até o destino.
A atuação conjunta entre as unidades
A captação contou com a integração entre as equipes de Rio Verde e Goiânia, segundo o urologista cooperado da Unimed Goiânia, Julio Resplande, que se deslocou até Rio Verde junto à equipe habilitada para realizar o procedimento. "A atuação integrada foi fundamental para que tudo pudesse ser realizado no próprio Hospital Unimed Rio Verde. O tamanho do bebê trouxe um desafio adicional para a manutenção dos órgãos, mas o resultado foi positivo. O procedimento teve duração aproximada de 1h30 e envolveu 15 profissionais, entre as equipes responsáveis pela atuação cirúrgica e pela perfusão dos órgãos”, relata.
Diretor-presidente da Unimed Rio Verde, Márcio Emrich Campos acompanhou o caso na unidade e destaca a decisão dos pais diante do momento de perda. "Essa decisão, tomada em um momento de profunda dor, merece nosso reconhecimento e respeito. A UTI Neonatal do Hospital Unimed Rio Verde ofereceu toda a estrutura necessária para o atendimento da criança e para a realização do processo de doação", ressalta.
Para o presidente do Conselho de Administração (CONSAD) da Unimed Goiânia, Washington Luiz Ferreira Rios, que atuou diretamente na interlocução com a Unimed Rio Verde, a cessão da estrutura reflete a integração entre as duas unidades. "A agilidade entre Rio Verde e Goiânia foi determinante para que a captação acontecesse dentro do prazo necessário ", destaca.Para o diretor-presidente da Unimed Goiânia, Lueiz Amorim Canedo, esse tipo de ação expressa o propósito que sustenta a atuação da cooperativa. "Esse caso nos lembra por que escolhemos a medicina: para estar presente exatamente no momento em que uma vida pode se transformar em esperança para outra", sublinha.
A decisão da família
Por se tratar de um menor de idade, a legislação exige autorização de ambos os pais para a doação. "Não podemos deixar de enaltecer o gesto dessa família que, diante de uma dor que não conseguimos medir, conseguiu dizer sim para a doação", relata Katiuscia. A gerente também reforça um ponto que considera essencial para ampliar a doação de órgãos no estado. "A recusa familiar ainda é muito alta, e é fundamental que as famílias conversem sobre esse assunto em casa. No Brasil, quem autoriza a doação é sempre a família, independentemente de qualquer manifestação prévia por escrito. Esse caso mostra que a idade não é, por si só, um impeditivo para a doação", conclui.
Equipe de 15 profissionais atuou na captação dos rins, em procedimento que durou aproximadamente 1h30, entre atuação cirúrgica e perfusão dos órgãos.
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Mariana
mariana@kasane.com.br
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