segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Einstein
Estudo internacional liderado pelo Einstein identifica melhor adesão ao tratamento e controle da pressão arterial entre pacientes que utilizam o aplicativo Elfie
Análises pré-definidas identificaram benefícios clinicamente relevantes mesmo sem necessidade de uso intensivo do aplicativo, com melhorias mais expressivas entre os pacientes com engajamento mais consistente
Manter pacientes com hipertensão engajados e aderentes ao tratamento é um dos principais desafios para o controle da condição e a prevenção de complicações cardiovasculares.
Um estudo clínico internacional, randomizado, liderado pelo Einstein Hospital Israelita e apresentado no ESC Congress 2026, principal encontro científico da Sociedade Europeia de Cardiologia, avaliou o uso do aplicativo Elfie como ferramenta complementar ao tratamento da hipertensão.
O estudo ELFIE-HYPERTENSION acompanhou, durante seis meses, 930 pacientes com hipertensão não controlada, definida no estudo como pressão arterial sistólica igual ou superior a 140 mmHg, em 16 centros de pesquisa no Brasil e no Vietnã. Os participantes foram alocados aleatoriamente em dois grupos: metade dos pacientes recebeu acesso ao Elfie juntamente com o tratamento convencional, enquanto a outra metade recebeu apenas o tratamento convencional.
Um dos principais achados do estudo foi que, entre os pacientes que atenderam aos critérios de engajamento previamente estabelecidos, os pesquisadores identificaram melhor adesão ao tratamento e maiores reduções da pressão arterial sistólica em comparação com o tratamento convencional isolado. É importante destacar que esses benefícios já foram observados entre os pacientes que interagiam com o Elfie pelo menos uma vez por mês, com uma redução clinicamente relevante de 4,2 mmHg na pressão arterial sistólica, e tornaram-se ainda mais expressivos, com uma redução de 4,8 mmHg, entre os pacientes que engajaram de forma mais consistente, semanalmente.
Esses resultados são relevantes porque sugerem que benefícios clínicos significativos não exigem que os pacientes interajam com um aplicativo de saúde digital de forma contínua ou todos os dias. Mesmo um engajamento relativamente leve, porém, contínuo, esteve associado a uma melhora na adesão e nos desfechos clínicos.
Quando todo o grupo que recebeu acesso ao Elfie foi analisado, independentemente de os pacientes terem efetivamente utilizado o aplicativo, foi observada uma melhora na adesão ao tratamento anti-hipertensivo, assim como melhores indicadores de autocuidado, menor necessidade de intensificação da terapia anti-hipertensiva e menos visitas e consultas cardiovasculares não planejadas, em comparação com o tratamento convencional isolado.
Ao final dos seis meses, não foi identificada diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos na pressão arterial sistólica, que constituía o desfecho primário do estudo.
Apesar disso, ambos os grupos apresentaram redução substancial da pressão arterial sistólica ao longo do período de acompanhamento. Segundo os pesquisadores, esse resultado pode estar relacionado, em parte, a mudanças de comportamento decorrentes da própria participação em um ensaio clínico com acompanhamento próximo, em um fenômeno conhecido como efeito Hawthorne.
Diante desse cenário, as análises pré-definidas que consideraram o nível de engajamento dos pacientes com o Elfie permitiram avaliar com mais precisão os resultados associados ao uso ativo do aplicativo. Entre os participantes que receberam acesso à ferramenta, 56% a utilizaram regularmente durante o período de acompanhamento, enquanto 40% fizeram uso semanal em pelo menos 80% do tempo de estudo. Os melhores resultados clínicos foram observados justamente entre os pacientes que mantiveram um engajamento mais consistente com o aplicativo.
Segundo os pesquisadores, os achados reforçam o potencial das tecnologias digitais para contribuir com o controle da hipertensão quando são capazes de promover mudanças sustentadas no comportamento dos pacientes e apoiar a adesão regular ao tratamento.
“A inovação em saúde depende não apenas do desenvolvimento de novas tecnologias, mas também da demonstração de seu impacto no mundo real por meio de uma metodologia científica robusta. Os resultados deste estudo mostram que o aplicativo Elfie pode ajudar a melhorar a adesão ao tratamento e apoiar o controle da hipertensão quando os pacientes permanecem engajados com o aplicativo ao longo do tempo. Recursos como gamificação, monitoramento personalizado e inteligência artificial provavelmente desempenharam um papel importante nesse processo, ao incentivar a participação contínua dos usuários e apoiar comportamentos que contribuem para melhores desfechos clínicos”, afirma a cardiologista Dra. Karla Espírito Santo, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita.
O aplicativo gratuito inclui recursos como lembretes de medicamentos, monitoramento da pressão arterial, conteúdo educacional, gamificação e um assistente virtual baseado em inteligência artificial que fornece orientações personalizadas para incentivar os pacientes a permanecerem engajados com o tratamento.
Em uma avaliação realizada ao final do estudo, 89,4% dos usuários consideraram útil o plano de monitoramento da pressão arterial do aplicativo, 83,9% afirmaram que os lembretes os ajudaram a tomar seus medicamentos diariamente e 78,5% disseram que pretendiam continuar utilizando a ferramenta após o término do estudo.
“A inteligência artificial, por si só, não controla a hipertensão. A diferença está em utilizar a tecnologia para apoiar os pacientes em seu dia a dia, incentivando hábitos saudáveis, fornecendo informações educacionais confiáveis e apoiando continuamente a adesão ao tratamento. Quando conseguimos manter os pacientes engajados com essas tecnologias, aumentamos a probabilidade de alcançar melhores desfechos clínicos”, afirma o cardiologista Dr. Eduardo Martins, pesquisador do Einstein Hospital Israelita.
“Vemos com otimismo não apenas as melhorias observadas na adesão ao tratamento, mas também o nível de engajamento sustentado com o Elfie. Na saúde digital, manter os pacientes engajados ao longo do tempo é um desafio fundamental, e observar que 56% dos participantes utilizaram o aplicativo regularmente durante todo o estudo de seis meses, com 40% acessando-o semanalmente durante pelo menos 80% do período do estudo, é encorajador. Os achados sugerem que o engajamento sustentado com uma ferramenta de saúde digital pode desempenhar um papel importante no apoio à adesão ao tratamento. Para o Elfie, isso reforça nosso foco na construção de uma tecnologia que os pacientes considerem útil o suficiente para incorporá-la aos seus cuidados cotidianos”, afirma Jean-François Legourd, COO da Elfie.
Sobre o estudo
ELFIE-HYPERTENSION é um ensaio clínico internacional, multicêntrico e randomizado que avaliou a eficácia do aplicativo Elfie no apoio ao manejo da hipertensão. O estudo incluiu 930 pacientes recrutados em 16 centros de pesquisa no Brasil e no Vietnã. A pesquisa foi liderada pela Academic Research Organization (ARO) do Einstein, organização especializada no desenho, coordenação e condução de estudos clínicos nacionais e internacionais. Com atuação em oito países e apoio de uma rede de mais de 300 centros de pesquisa, a ARO coordena atualmente mais de 40 estudos ativos em mais de 10 áreas terapêuticas.
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