terça-feira, 1 de setembro de 2026

Doença de Creutzfeldt-Jakob: o caso do influenciador chama atenção para doença rara e de evolução rápida

Doença de Creutzfeldt-Jakob: o caso do influenciador chama atenção para doença rara e de evolução rápida Diagnóstico de Lito Souza reacende o alerta sobre uma enfermidade priônica que pode avançar rapidamente; Acadêmico Jerson Lima explica como a doença se espalha no cérebro e por que o diagnóstico precoce é um desafio O diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) anunciado pelo influenciador Lito Souza chama atenção para uma enfermidade rara, grave e de evolução rápida, que ainda não tem cura. A doença pertence ao grupo das doenças priônicas, causadas por alterações anormais em uma proteína presente naturalmente no organismo. Embora seja pouco conhecida pela população, a DCJ representa um desafio para a medicina justamente pela velocidade com que pode comprometer o sistema nervoso e pela complexidade de seu diagnóstico. “Uma vez que essa mutação muito rara altera a forma da proteína, levando-a a um estado anormal e agregado, cria-se uma espécie de ‘semente’ que faz com que as proteínas normais também se agreguem. É como uma fileira de dominós: uma proteína influencia a outra, e esse processo vai se propagando de célula em célula.” explica o Acadêmico Jerson Lima. O mecanismo descrito ajuda a compreender uma das características centrais das doenças priônicas: uma proteína anormal pode induzir outras proteínas normais a assumir uma conformação alterada, em um processo que se propaga pelo tecido nervoso. Essa evolução ajuda a explicar por que a DCJ pode provocar uma deterioração neurológica acelerada. “É uma doença de curso rápido, diferente, por exemplo, de outras doenças neurodegenerativas. A evolução ocorre em um período de um a dois anos, o que reforça a importância de um diagnóstico rápido e, eventualmente, da aplicação precoce de mecanismos terapêuticos, caso estejam disponíveis.” afirma o Acadêmico Jerson Lima. A velocidade da progressão torna ainda mais importante reconhecer os sinais e investigar rapidamente quadros neurológicos que apresentem evolução incomum. Outro desafio está no diagnóstico. Durante muito tempo, a confirmação da DCJ dependia da análise do tecido cerebral após a morte. Hoje, métodos como o RT-QuIC permitem investigar a presença da doença ainda em vida, representando um avanço importante para uma enfermidade de evolução tão rápida. A doença, no entanto, permanece sem tratamento curativo, enquanto pesquisas internacionais buscam estratégias capazes de interferir na propagação da proteína anormal. O caso de Lito Souza ajuda a trazer para o debate público uma doença que, apesar de rara, exige atenção médica diante de sintomas neurológicos de progressão acelerada. Para a Academia Nacional de Medicina (ANM), ampliar o conhecimento sobre as doenças priônicas também significa estimular a pesquisa sobre os mecanismos de doenças neurodegenerativas e os caminhos que podem levar a novas formas de diagnóstico e tratamento. Sobre ANM: Fundada em 1829, a Academia Nacional de Medicina é uma das mais tradicionais instituições científicas do Brasil, dedicada ao avanço da medicina, da saúde pública e das ciências afins. Promove debates, cursos, congressos e premiações, contribuindo para o desenvolvimento científico e para a orientação de políticas de saúde no país. Informações à Imprensa: Trixe Comunicação Estratégica | www.trixe.com.br ( Iara Marques | iara.marques@trixe.com.br Iara Marques Assessora de Imprensa iara.marques@trixe.com.br

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