quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Dia Internacional do Café - Um grão, vários sabores: método de preparo pode transformar a experiência com o café

Dia Internacional do Café - Um grão, vários sabores: método de preparo pode transformar a experiência com o café Espresso, V60, prensa francesa, moka e outros métodos extraem diferentes características do mesmo grão e alteram corpo, aroma, acidez e percepção de sabor Brasil, setembro de 2026 – Um mesmo grão de café pode resultar em bebidas bastante diferentes dependendo da forma como é preparado. Moagem, temperatura da água, tempo de contato, pressão, proporção entre café e água e tipo de filtro interferem diretamente na extração e ajudam a explicar por que um espresso apresenta características tão distintas de um V60 ou de uma prensa francesa, mesmo quando todos partem do mesmo café. A explicação está no processo de extração. Quando a água entra em contato com o café moído, diferentes substâncias presentes no grão são transferidas para a bebida. Entre elas estão ácidos orgânicos, cafeína, compostos aromáticos, óleos e outras moléculas formadas ou modificadas durante a torra. Como esses componentes apresentam diferentes níveis de solubilidade e velocidades de extração, alterações no preparo modificam o perfil final da xícara. Para Elói Ferreira, cofundador e desenvolvedor de produtos da Go Coffee, entender essa dinâmica ajuda a desconstruir a ideia de que os métodos servem apenas para deixar o café mais forte ou mais fraco. “Quando mudamos o método, não estamos simplesmente aumentando ou diminuindo a intensidade do café. Estamos alterando a maneira como a água interage com o grão e quais características ficam mais evidentes na xícara. O mesmo café pode apresentar mais corpo em um preparo e revelar com maior clareza notas frutadas ou florais em outro”, explica. O tamanho das partículas interfere diretamente na velocidade de extração. Quanto mais fino o café é moído, maior é a superfície disponível para contato com a água e mais rapidamente tende a ocorrer a extração. É por isso que o espresso, preparado em poucos segundos, utiliza uma moagem fina. Métodos mais longos, como prensa francesa e cold brew, costumam trabalhar com partículas maiores. Isso não significa, porém, que basta moer o café cada vez mais fino para obter uma bebida melhor. Uma moagem inadequada ou pouco uniforme pode fazer com que algumas partes sejam mais extraídas do que outras, comprometendo o equilíbrio da bebida. “A moagem precisa conversar com o método. Se ela estiver muito fina ou muito grossa para aquele preparo, podemos perder equilíbrio. Um dos trabalhos do barista é justamente ajustar essas variáveis para conseguir uma extração uniforme e destacar as características que aquele café tem potencial para entregar”, afirma Elói.
Espresso concentra; filtrados podem destacar nuances Entre os métodos mais conhecidos, o espresso utiliza pressão para forçar a passagem da água por uma camada compacta de café finamente moído. O resultado é uma bebida de alta concentração, com corpo e textura mais densos e grande intensidade aromática. Por isso, pequenas alterações no preparo também podem ficar mais evidentes na xícara. Já métodos filtrados podem seguir outra direção. Preparos como o V60 tendem a favorecer clareza, acidez e separação entre sabores, enquanto a Chemex, com seu filtro de papel, costuma resultar em uma bebida mais limpa e de corpo leve. A prensa francesa permite a passagem de mais óleos e partículas, o que tende a gerar maior corpo e textura. “Não existe necessariamente um método melhor. Existe o método que pode combinar melhor com determinado café ou com a preferência de quem vai beber. Quem gosta de uma bebida mais encorpada pode se identificar com a prensa francesa. Quem procura maior clareza para perceber determinadas notas pode preferir um filtrado. O interessante é experimentar o mesmo grão de formas diferentes e perceber como ele muda”, explica o especialista.
O filtro também muda o resultado Um elemento aparentemente simples também exerce influência importante: o filtro. O papel retém grande parte das partículas suspensas e parte da fração oleosa, contribuindo para uma bebida mais limpa e de corpo mais leve. Já filtros metálicos permitem a passagem de mais partículas microscópicas e óleos, aumentando a sensação de corpo e textura. A diferença ajuda a explicar por que dois métodos que utilizam o mesmo café e água podem produzir experiências sensoriais distintas. “Às vezes, o consumidor associa toda a diferença ao grão, mas o equipamento e o filtro têm participação importante no resultado. O papel pode favorecer uma xícara mais limpa, enquanto o metal permite maior presença de óleos e partículas. São detalhes técnicos que, no final, aparecem de maneira bastante concreta no paladar”, destaca Ferreira. Temperatura não deve ser analisada isoladamente A temperatura da água é outra variável importante porque interfere na dinâmica da extração. Em geral, temperaturas mais altas aceleram a dissolução e o transporte de compostos do café. Mas a afirmação de que “água mais quente sempre deixa o café mais amargo” é uma simplificação. O material técnico aponta um estudo do UC Davis Coffee Center no qual cafés filtrados foram preparados a diferentes temperaturas. Quando a concentração e o rendimento de extração foram mantidos equivalentes por meio de ajustes em outras variáveis, a temperatura isoladamente apresentou pouca influência no perfil sensorial. Na prática, ela continua relevante porque moagem, tempo e demais condições dificilmente permanecem idênticos durante o preparo. “No café, uma variável dificilmente trabalha sozinha. Temperatura, moagem, tempo, quantidade de água e método estão conectados. Por isso, uma receita equilibrada depende mais de entender a relação entre esses fatores do que de buscar uma temperatura ou um tempo considerados perfeitos para qualquer café”, explica.
Cold brew não é apenas café gelado A diferença entre métodos fica ainda mais evidente no cold brew. Preparado com água fria e longos períodos de contato, ele apresenta uma dinâmica de extração diferente dos cafés feitos com água quente.A baixa temperatura reduz a velocidade do processo e, por isso, o café permanece em contato com a água durante horas. Dependendo da receita, o resultado tende a apresentar suavidade, corpo e notas associadas a chocolate, caramelo e castanhas, além de menor percepção de acidez em muitos preparos. “Cold brew não é simplesmente preparar um café quente e esperar esfriar. A extração acontece de outra maneira. O tempo maior e a temperatura baixa modificam o perfil da bebida, por isso o resultado sensorial também é diferente. É um bom exemplo de como o método consegue mudar nossa percepção de um mesmo café”, afirma o barista. O método destaca o que já existe no grão Apesar da influência do preparo, o método não consegue criar características que não estejam presentes na matéria-prima. O resultado começa ainda na origem e é influenciado por variedade, clima, solo, altitude, maturação do fruto, processamento, fermentação, secagem, armazenamento e torra.O preparo funciona, portanto, como uma forma de evidenciar ou suavizar determinadas características. “O método não faz milagre e não cria sabores que o café não possui. O que conseguimos fazer é escolher uma forma de preparo que valorize determinadas características daquele grão. É justamente isso que torna o café tão interessante: você pode partir da mesma matéria-prima e descobrir diferentes expressões dela na xícara”, conclui. SOBRE A GO COFFEE Fundada em 2017, em Curitiba, a Go Coffee se consolidou rapidamente como uma das principais referências nacionais no mercado de cafés especiais. Hoje comercializa mensalmente mais de uma tonelada de café, com grãos colhidos principalmente no Sul de Minas e na Alta Mogiana, importante região produtora do estado de São Paulo. A marca se destaca por um cardápio diverso, que reforça sua proposta de unir praticidade, qualidade e experiência. Para mais informações, acesse o site www.gocoffee.com.br ou o perfil oficial da rede no Instagram: @gocoffeebrasil. Bruna Bozza Assessora de Imprensa bruna@pmaisg.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Nila Branco e Almir Pessoa levam Rock & Raiz a São Paulo em novembro, com continuidade prevista em Goiás em 2027

Nila Branco e Almir Pessoa levam Rock & Raiz a São Paulo em novembro, com continuidade prevista em Goiás em 2027 Idealizado por Nila Br...