quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Chás emagrecedores funcionam? Especialista alerta para riscos do consumo sem orientação
Chás emagrecedores funcionam? Especialista alerta para riscos do consumo sem orientação
Promessas de acelerar o metabolismo e eliminar gordura podem levar ao consumo excessivo sem resultados reais e causar desidratação ou desequilíbrio no organismo
Uma xícara de chá depois do almoço, outra antes de dormir e, entre elas, a promessa de perder alguns quilos mais rápido. Nas redes sociais e nas prateleiras de supermercados, não faltam opções de chás vendidos como aliados do emagrecimento. Mas será que essas bebidas realmente ajudam a perder peso? Embora alguns ingredientes possam ter efeitos sobre o organismo, especialistas alertam que nenhum chá é capaz de promover emagrecimento de forma isolada e que o consumo sem orientação pode trazer riscos à saúde.
O principal problema está na associação entre a perda momentânea de líquidos e a redução efetiva de gordura corporal. Chás com efeito diurético, por exemplo, podem aumentar a eliminação de água pela urina, causando uma redução temporária no peso mostrado pela balança. Isso, no entanto, não significa que houve emagrecimento.
“É importante diferenciar perda de peso de perda de gordura. Quando uma pessoa consome substâncias com efeito diurético ou laxativo, pode perceber uma redução momentânea no peso, mas isso não significa que o organismo eliminou gordura. O emagrecimento saudável acontece por meio de mudanças sustentáveis e não por soluções rápidas”, explica Maria Simões, endocrinologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Afinal, os chás ajudam a emagrecer?
Alguns chás possuem compostos que podem contribuir para o funcionamento do organismo e fazer parte de uma alimentação equilibrada, no entanto, o efeito isolado da bebida sobre a perda de peso é limitado e não substitui hábitos como alimentação adequada, prática de atividade física e acompanhamento profissional.
O problema surge quando o chá passa a ser encarado como uma fórmula de emagrecimento ou utilizado em excesso na tentativa de acelerar os resultados.
“Não existe um alimento ou bebida capaz de, sozinho, provocar uma perda de peso significativa. O chá pode fazer parte da rotina de uma pessoa, mas não deve ser tratado como um medicamento para emagrecer. Quando existe excesso de peso, é preciso entender as causas e avaliar cada caso de forma individual”, afirma a endocrinologista.
O perigo dos chás com efeito diurético e laxativo
Entre os produtos mais procurados estão os chamados chás “detox” ou “seca barriga”, muitas vezes compostos por uma mistura de diferentes ervas. Alguns podem ter efeito diurético, enquanto outros estimulam o funcionamento do intestino.
Apesar de serem frequentemente apresentados como naturais, isso não significa que possam ser consumidos sem cuidado. O uso excessivo pode provocar desidratação, alterações no funcionamento do intestino e outros desequilíbrios no organismo.
Outro risco é o consumo de produtos cuja composição não é completamente conhecida. Misturas vendidas com promessas de emagrecimento rápido podem reunir diferentes substâncias e ervas, aumentando a dificuldade de prever seus efeitos.
“Natural não é sinônimo de inofensivo. Muitas substâncias de origem vegetal possuem efeitos no organismo e podem interagir com medicamentos ou piorar determinadas condições de saúde. Por isso, principalmente quando há consumo frequente ou em grandes quantidades, é importante buscar orientação”, alerta.
Promessas de emagrecimento rápido
O emagrecimento rápido costuma ser um dos principais argumentos utilizados para estimular o consumo de chás e suplementos, mas mudanças bruscas no peso nem sempre representam uma redução saudável da gordura corporal.
Além disso, apostar constantemente em soluções rápidas pode criar uma relação frustrante com o processo de emagrecimento. A pessoa perde peso momentaneamente, retoma os antigos hábitos e volta a ganhar os quilos perdidos.
“O emagrecimento precisa ser sustentável. Mais importante do que perder peso rapidamente é conseguir manter hábitos que façam sentido para aquela pessoa no longo prazo. Dietas extremamente restritivas e produtos que prometem resultados milagrosos geralmente não resolvem a causa do problema”, explica a especialista.
Cuidados na hora de ingerir chás
Pessoas que utilizam medicamentos de forma contínua, têm doenças crônicas ou apresentam alterações no funcionamento dos rins, fígado ou intestino devem redobrar a atenção antes de incluir chás e compostos naturais na rotina.
Gestantes e lactantes também não devem consumir preparações com ervas sem orientação profissional. Mesmo bebidas populares podem apresentar contraindicações dependendo da quantidade e da condição de saúde de cada pessoa.
O mesmo vale para quem substitui refeições por chás na tentativa de reduzir rapidamente a ingestão de calorias. Além de não ser uma estratégia sustentável, essa prática pode prejudicar a alimentação e aumentar o risco de deficiências nutricionais.
Então, é preciso abandonar os chás?
Não. Para a endocrinologista, os chás podem fazer parte de uma rotina equilibrada, desde que sejam consumidos com bom senso e sem expectativas irreais.
Uma xícara de chá pode ser uma alternativa para diversificar a ingestão de líquidos ou complementar momentos da alimentação. O problema começa quando a bebida é utilizada como substituta de refeições ou como principal estratégia para perder peso.
“Não precisamos transformar o chá em vilão, mas também não podemos atribuir a ele um efeito que não possui. O emagrecimento é resultado de um conjunto de fatores e deve considerar alimentação, atividade física, sono, rotina e as particularidades de cada organismo. Quando existe dificuldade para perder peso, o mais seguro é procurar um profissional para entender o que está acontecendo e definir a melhor estratégia”, conclui a médica.
Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo
No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários.
As Unidades Pompeia, Santana e Ipiranga fazem parte da Rede de Hospitais de São Paulo, que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades e cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia, transplantes de fígado e musculoesquelético, cirurgias robótica e bariátrica. Por meio da atuação filantrópica, apoiam na manutenção das atividades de vários Hospitais administrados pela São Camilo no Brasil com atendimento ao SUS.
A Rede de Hospital São Camilo de São Paulo possui Centro de Oncologia e de Hematologia (Transplantes de Medula Óssea) e tratamento com CAR-T-CELL. Referência em urgência e emergência conta com PS Adulto, Infantil e 60+. Possui a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional, o Selo Amigo do Idoso e as Certificações PALC e ABHH.
Maria Eduarda
e-mail: maria.eduarda@agenciacontatto.com.br
www.agenciacontatto.com.br
Twitter: @agenciacontatto
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