sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Boi valorizado mesmo com recuo da China: o que está sustentando a arroba? Caixa de entrada
Boi valorizado mesmo com recuo da China: o que está sustentando a arroba?
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Redução recente das compras chinesas aumenta atenção sobre o mercado, enquanto oferta de animais terminados e demanda interna ajudam a explicar comportamento dos preços, avalia presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã-GO
A redução das compras chinesas de carne bovina brasileira colocou um novo ponto de tensão e atenção no mercado pecuário, mas ainda não foi suficiente para provocar uma queda acentuada no preço do boi gordo. A combinação entre disponibilidade de animais para abate, demanda dos frigoríficos e comportamento do mercado interno ajuda a explicar por que a arroba continua encontrando sustentação mesmo diante da mudança no cenário das exportações.
Na última edição do Panorama do Agro, publicada em 11 de setembro, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontou mais uma semana de preços firmes no mercado do boi gordo. O movimento ocorre após agosto registrar uma redução expressiva das compras chinesas de carne bovina brasileira. Junto a isso, o mercado acompanha expectativas positivas em relação a outros destinos externos, como os Estados Unidos, cenário que pode contribuir para melhorar as perspectivas para os próximos meses.
Para o médico-veterinário e presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã, Edgard Scatena Filho, analisar a cotação da arroba exige olhar além do comportamento de um único comprador internacional.
“A China tem um peso enorme para a pecuária brasileira e qualquer mudança nas compras merece atenção. Mas o preço do boi é resultado de um conjunto de fatores. Precisamos observar quantos animais terminados estão disponíveis, como estão as escalas dos frigoríficos, o consumo interno, os demais destinos das exportações e o custo que o produtor teve para colocar esse animal pronto para o abate”, explica.
Um dos fatores que ajudaram a sustentar os preços ao longo de 2026 foi justamente a oferta ajustada. Dados divulgados pela Secretaria de Agricultura de Goiás mostram que o primeiro semestre foi marcado pela valorização da arroba, associada à menor disponibilidade de animais terminados e à demanda aquecida pela carne bovina.
O comportamento da China, porém, ganhou importância nas últimas semanas. O país continua sendo um mercado estratégico para a carne brasileira, mas a redução dos embarques aumentou a necessidade de acompanhar a capacidade de absorção de outros compradores e do próprio mercado doméstico.
Para Scatena, o momento exige cautela na interpretação dos preços.
“O produtor não pode tomar uma decisão olhando apenas a cotação de hoje. Quem trabalha com pecuária sabe que existe um ciclo até o animal chegar ao peso de abate. A decisão de comprar reposição, confinar ou segurar determinado lote precisa considerar o custo dessa arroba produzida e o cenário que podemos encontrar na hora da venda”, afirma.
Em Goiás, essa análise tem impacto direto sobre uma das principais atividades do agronegócio estadual. A estimativa oficial para 2026 aponta Valor Bruto da Produção de bovinos de R$ 24,2 bilhões no estado, crescimento de 7,2% em relação ao ano anterior.
Outro componente importante é a reposição. A valorização do bezerro aumentou o custo para quem precisa recompor o rebanho, o que pressiona principalmente operações que dependem da compra de animais para recria e engorda.
Segundo Edgard, essa relação ajuda a entender por que uma arroba valorizada não significa automaticamente uma margem maior para o pecuarista.
“É preciso separar preço de rentabilidade. O pecuarista pode vender o boi por um valor maior e, ao mesmo tempo, ter comprado uma reposição mais cara, gastado mais com alimentação ou enfrentado outros custos de produção. Também precisamos considerar que nem todo pecuarista atua apenas no confinamento. A pecuária de corte reúne diversos segmentos, com atividades e estruturas de custos diferentes, que precisam ser analisados dentro da cadeia. Muitos desses setores têm participação importante e, em alguns casos, fundamental na composição do preço final. O número que realmente importa dentro da fazenda é quanto sobra depois que todo esse ciclo é colocado na conta”, destaca.
A perspectiva para os próximos meses passa, portanto, pelo equilíbrio entre oferta e demanda. O ritmo dos confinamentos, as escalas de abate dos frigoríficos, o consumo brasileiro e o comportamento das exportações devem continuar entre os principais indicadores acompanhados pelo setor.
Para o presidente do Sindicato Rural, o episódio envolvendo a China também reforça a importância de ampliar o número de destinos da carne brasileira.
“Ter acesso a grandes compradores é fundamental, mas quanto maior for a diversidade de mercados, menor é a exposição do produtor e da indústria a uma mudança concentrada em um único destino. Para uma cadeia do tamanho da pecuária brasileira, ampliar mercados é uma questão importante de segurança comercial”, conclui Edgard Scatena Filho.
@sindicatoruraldeitapirapua
Panorama Goias comunicação / Imprensa
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