sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Esclerose múltipla: sinais de alerta podem ajudar a identificar a doença mais cedo
Esclerose múltipla: sinais de alerta podem ajudar a identificar a doença mais cedo
Data, celebrada em 30 de agosto, reforça a importância do diagnóstico precoce de uma doença rara que afeta cerca de 40 mil brasileiros e dos avanços em tecnologia e pesquisa para encurtar essa jornada
Um formigamento que aparece do nada, uma visão embaçada que passa depois de alguns minutos ou aquele cansaço que parece maior do que o esforço do dia. São situações que podem fazer parte da rotina e ser consideradas “normais” por algumas pessoas, mas, ao contrário do que muitos pensam, também merecem atenção. Quando aparecem de forma recorrente ou sem uma causa aparente, esses sintomas podem estar relacionados à esclerose múltipla (EM), uma doença inflamatória crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central. Como as manifestações variam de pessoa para pessoa e podem surgir em diferentes momentos, reconhecer os sinais é um dos primeiros passos para buscar uma investigação adequada.
De acordo com Trajano Aguiar, especialista em doenças neuromusculares e Neuroimunologia da Raras Health, a esclerose múltipla acontece quando o sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, estrutura que protege as fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal. O dano a essa proteção interfere na transmissão dos impulsos nervosos entre o cérebro e o restante do corpo, podendo comprometer funções motoras, sensitivas, visuais e cognitivas. Segundo o Ministério da Saúde, a esclerose múltipla é uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central, afetando 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) estima que cerca de 40 mil brasileiros convivem com a doença, sendo 85% mulheres jovens e brancas, entre 18 e 30 anos.
A esclerose múltipla também é marcada por diferentes formas de manifestação. Na forma mais comum, os sintomas aparecem em episódios chamados surtos, que podem melhorar depois de alguns dias ou semanas. Essa característica pode fazer com que os primeiros sinais sejam subestimados ou atribuídos a outras causas, como estresse no dia a dia. “Como não existe um único exame capaz de confirmar a doença, o diagnóstico considera o histórico clínico, a avaliação neurológica e exames complementares, como a ressonância magnética e, em alguns casos, a análise do líquor”, explica o especialista.
É justamente diante desse desafio que a tecnologia pode contribuir para tornar a jornada de pessoas com doenças raras mais ágil. A Raras Health utiliza inteligência artificial e dados para organizar e conectar informações que podem apoiar a investigação e acelerar o caminho até o diagnóstico. A plataforma já catalogou mais de 10 mil doenças raras, sendo mais de 2 mil relacionadas ao sistema nervoso, e acompanha continuamente pesquisas, estudos e novas descobertas científicas sobre essas condições, aproximando esse conhecimento de pacientes e profissionais de saúde. A proposta é reduzir a distância entre o que é descoberto pela ciência e quem precisa dessas informações para compreender melhor a doença, buscar um diagnóstico e, quando disponível, ter acesso a novas possibilidades de tratamento.
Para o Dr. Alexandre Kawassaki, médico e fundador da Raras Health, acelerar a pesquisa é parte fundamental desse processo. “Ainda existe uma distância muito grande entre o primeiro sintoma e a resposta que o paciente procura. Para diminuir esse tempo, precisamos avançar em pesquisa, ampliar o conhecimento sobre essas doenças e conseguir conectar melhor os dados que já temos. Quanto mais informação de qualidade estiver disponível e mais rápido conseguirmos transformá-la em conhecimento, maiores são as possibilidades de melhorar a jornada diagnóstica e o cuidado desses pacientes.”
Na avaliação de Trajano Aguiar, especialista em doenças neuromusculares e Neuroimunologia da Raras Health, alguns sinais merecem atenção e podem indicar a necessidade de uma investigação médica. Entre eles estão:
Alterações na visão: visão embaçada ou dupla, perda parcial da visão ou dor ao movimentar os olhos. Um exemplo é perceber que um dos olhos ficou com a visão turva de repente, como se houvesse uma “névoa” na frente dele;
Formigamento e dormência: sensação de “agulhadas”, choques ou perda de sensibilidade em braços, pernas, mãos, pés ou em um lado do corpo, que pode surgir sem uma causa aparente e persistir por algum tempo;
Fraqueza muscular: sensação de que um braço ou uma perna está mais pesado ou dificuldade para realizar movimentos que antes eram simples, como subir escadas, caminhar ou segurar objetos;
Alterações no equilíbrio e na coordenação: tontura, sensação de instabilidade, dificuldade para caminhar em linha reta ou movimentos mais desajeitados do que o habitual;
Fadiga intensa: cansaço desproporcional às atividades realizadas, como sentir necessidade de descansar depois de tarefas simples ou perceber que o corpo não responde da mesma maneira ao longo do dia;
Alterações cognitivas: dificuldade para se concentrar, encontrar palavras, memorizar informações ou realizar tarefas que exigem mais atenção;
Alterações urinárias: vontade urgente e frequente de urinar, dificuldade para esvaziar completamente a bexiga ou episódios de perda urinária.
No Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, 30 de agosto, o alerta é para que esses sinais não sejam ignorados, principalmente quando são novos, recorrentes ou aparecem sem uma explicação clara. Um sintoma isolado não significa necessariamente esclerose múltipla, mas mudanças neurológicas persistentes ou repetidas devem ser avaliadas por um profissional de saúde. A investigação adequada é fundamental para diferenciar a EM de outras condições e, quando necessário, iniciar o acompanhamento e o tratamento o quanto antes.
Sobre a Raras Health
A Raras Health é uma healthtech brasileira que utiliza inteligência artificial e tecnologia para apoiar a jornada de diagnóstico de pessoas com doenças raras, ajudando a reduzir o tempo entre os primeiros sintomas e a identificação da condição. Criada em 2025 por Dimas Timmers e pelos médicos Dr. Alexandre Kawassaki e Dr. João Bosco Oliveira, a empresa desenvolve uma plataforma digital que conecta pacientes, profissionais de saúde, conhecimento científico e dados para tornar a busca por respostas mais ágil e acessível. A Raras reúne recursos como enciclopédia de doenças raras, rede de especialistas, comunidades por doença, carteira digital de saúde e ferramentas de inteligência artificial. Seu propósito é tornar o raro visível, o cuidado acessível e o diagnóstico possível.
Felipe Sá
felipe@crismoraes.com.br
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Cavalhadas de Corumbá de Goiás devem reunir mais de 15 mil pessoas, de 4 a 6 de setembro
Cavalhadas de Corumbá de Goiás devem reunir mais de 15 mil pessoas, de 4 a 6 de setembro O espetáculo tradicional ganha cada vez mais ad...
-
O cerimonialista José Bomfim (D)esteve no último dia 16 de outubro, em Palmas (TO), prestigiando o lançamento do livro Palmas – Detalhes da ...
-
Na tarde desta sexta-feira (31), a WV Maldi e a OSC Mundo Mulher** entregaram as doações da Campanha Lenço Solidário ao Hospital Araújo Jorg...
-
IA na Arquitetura O design Diego Miranda (à esquerda) e o arquiteto Zeh Pantarolli vieram de Curitiba para realizar palestra sobre uso da...

Nenhum comentário:
Postar um comentário