terça-feira, 25 de agosto de 2026
Agosto Azul: palestra traz luz sobre o reconhecimento de problemas de visão em sala de aula com crianças
Agosto Azul: palestra traz luz sobre o reconhecimento de problemas de visão em sala de aula com crianças
Professores da Rede de Inclusão e Atendimento Educacional Especializado da Rede Municipal de Goiânia (AEE), da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia (SME) foram o público alvo
O presidente da Sociedade Goiana de Oftalmogia (SGO), oftalmologista Leiser Franco, ministrou palestra no auditório do Colégio Claretiano - Centro Abordagens Técnicas e Científicas, sobre detecção de problemas visuais que podem atrapalhar o aprendizado de crianças ou até mesmo confundir com diagnósticos para diferentes doenças como autismo, por exemplo. A palestra que teve uma série de explicações sobre diversas enfermidades oculares foi voltada para professores da Rede de Inclusão e Atendimento Educacional Especializado da Rede Municipal de Goiânia (AEE), da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia (SME).
Doenças na visão que derivam transtornos de aprendizagem foram explicadas de forma ampla e sequencial durante todo o encontro com a experiência de estudo de casos concretos onde diagnósticos precisos e antecipados podem mudar a vida das crianças que possuem alguma enfermidade oftalmológica. Estudos sobre dislexia (transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica que causa dificuldade na leitura, na escrita e na soletração); além de doenças como estrabismo (condição em que os olhos ficam desalinhados e não apontam para a mesma direção) e hipermetropia ( um erro de refração em que a luz que entra nos olhos se foca atrás da retina, e não diretamente sobre ela) foram apresentados para detecção mediante análises comportamentais dos pequenos.
De acordo com Leiser, pais e responsáveis devem obedecer um protocolo de saúde ocular de prevenção desde o primeiro “teste do olhinho”, realizado até 72 horas de vida, sendo repetido até um ano em todos os exames de rotina. Após essa etapa, entre 6 e 12 meses, deve ser feita a primeira avaliação oftalmológica completa realizada por um oftalmologista para checar o fundo de olho, alinhamento e estruturas oculares. E, dos 3 anos até 5 anos, deve ser feito pelo menos um exame oftalmológico completo focando na acuidade visual, estrabismo e ambliopia ("olho preguiçoso").
Para Lliana Gusmão, gerente de inclusão da SME, todos os professores da rede são orientados a perceber as dificuldades específicas dos alunos para encaminhamento multiprofissional. “A palestra de hoje foi fundamental, porque a educação e a saúde andam juntas. Isso porque quando o professor compreende, como foi aqui explicado, como a nossa visão é formada, como ela consolida o conhecimento, se forma do ponto de vista cerebral de aprendizagem, de fala, ele fica melhor preparado e treinado para estar mais atentos aos sinais de que há um problema a ser acompanhado ali”, diz.
Presidente da SGO, Leiser Franco, explica a detecção de doenças visuais em sala de aula
Para Leiser, a troca de ideias com os professores é muito importante porque, em sala de aula, eles se tornam sentinela. “Esse profissional percebe aquela criança que tem dificuldade no aprendizado. A partir dessa identificação ele pode direcionar ao coordenador de ensino ou falar com a própria família. Um despertar para que esse paciente seja avaliado não só nas questões visuais, mas também nas auditivas e neurológicas, se houver”, pontua.
De acordo com Maria Aparecida de Oliveira, professora de atendimento especializado da Secretaria Municipal de Educação que acompanhou o evento, a palestra foi impactante porque Leiser trouxe a história de vida dele. “Ele contou como superou a dislexia e que, por muito tempo na infância, não sabia desse diagnóstico. Isso acontece muito na escola”, disse.
A professora também compartilha que vê o estudante fugindo da leitura e se põe em alerta. “Quando menos se espera ele está em outra carteira.Eu saio daqui hoje com uma nova bagagem, renovada, porque a palestra trouxe informações técnicas valiosas de saúde ocular para podermos compreender nuances dentro de sala”, disse.
Professores da Rede de Inclusão do município de Goiânia participam de palestra sobre detecção de doenças oculares em sala de aula
O olhar como forma de comunicação da aprendizagem
Marta França, professora de Atendimento em Educação Especializada da SME diz que o tema explanado elucidou o quanto o olhar é uma forma de comunicação da aprendizagem. “A maneira como o aluno franze os olhos ou coça-os quando está diante de um conteúdo de leitura, por exemplo, pode mostrar uma deficiência visual que os pais não perceberam.
Maria Cristina de Carvalho Batista, professora da sala de recursos do Cmei Viver a Infância considerou extremamente válida a explicação dada. Tendo em vista esclarecimentos sobre a forma de lidar com a totalidade do comportamento da criança. “Observar se ela enxerga e escuta bem ou se tem uma marcha adequada para a idade. Isso porque a questão visual é ligada ao aprendizado futuro e potencial para identificar anormalidades.
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