quarta-feira, 15 de julho de 2026

Andropausa existe? No Dia Nacional do Homem, urologista explica quando a queda da testosterona merece atenção

Andropausa existe? No Dia Nacional do Homem, urologista explica quando a queda da testosterona merece atenção Especialista alerta que reposição hormonal não é indicada para todos e deve ser feita apenas após avaliação médica e comprovação laboratorial Cansaço persistente, queda da libido, irritabilidade, perda de massa muscular e redução da disposição. Com o passar dos anos, muitos homens começam a perceber mudanças no corpo e no comportamento e logo associam os sintomas à chamada “andropausa”. Mas, afinal, todo homem passa por isso? E a reposição de testosterona é sempre necessária? A dúvida ganha força no Dia Nacional do Homem, celebrado em 15 de julho, data que reforça a importância de ampliar o debate sobre saúde masculina e estimular a prevenção. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2015 e 2022, apenas 26,1% dos atendimentos individuais na Atenção Primária do SUS foram de homens de 20 a 59 anos, o que revela uma menor procura desse público por cuidados preventivos. No caso da saúde hormonal, a desinformação também é um desafio. A Sociedade Brasileira de Urologia aponta que, principalmente após os 40 anos, parte dos homens pode apresentar redução nos níveis de testosterona, quadro conhecido tecnicamente como Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM). Apesar disso, a condição não deve ser confundida com envelhecimento natural nem tratada sem diagnóstico adequado. Segundo o urologista Hudson de Sousa Ribeiro, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, a andropausa é diferente da menopausa feminina e nem todos os homens irão desenvolver sintomas relacionados à queda hormonal. "A andropausa é uma condição relacionada à redução gradual dos níveis de testosterona, que pode ocorrer com o avanço da idade em alguns homens. Diferente da menopausa feminina, essa queda não acontece de forma abrupta e nem todos os homens irão apresentá-la. O tema ainda gera muitas dúvidas porque existe muita informação incompleta nas redes sociais, além de mitos que levam alguns homens a acreditarem que qualquer cansaço ou diminuição da libido significa falta de testosterona", explica. Cansaço A queda hormonal pode afetar a qualidade de vida, mas os sintomas são variados e, muitas vezes, podem ter outras causas. Por isso, o diagnóstico não deve ser feito apenas com base em queixas isoladas ou informações encontradas na internet. "Os principais sinais incluem diminuição da libido, disfunção erétil, cansaço persistente, perda de massa muscular, aumento da gordura corporal, alterações de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração e redução da disposição para as atividades do dia a dia. No entanto, esses sintomas também podem estar relacionados a outras doenças, como problemas na tireoide, depressão, diabetes ou distúrbios do sono. Por isso, é fundamental procurar um urologista para uma avaliação completa", diz o especialista. A orientação é importante porque o uso da testosterona tem se popularizado nas redes sociais, muitas vezes associado a promessas de rejuvenescimento, ganho de massa muscular, melhora da performance física e aumento da disposição. Especialistas, no entanto, alertam que o hormônio não deve ser usado com finalidade estética ou sem acompanhamento médico. Reposição hormonal não é para todos Uma das principais dúvidas dos homens é se a reposição hormonal deve ser feita sempre que há queda nos níveis de testosterona. De acordo com Hudson, a resposta é não. "A reposição hormonal é indicada apenas para homens que apresentam sintomas compatíveis associados à comprovação laboratorial de deficiência de testosterona. O tratamento deve ser individualizado, baseado em critérios médicos bem estabelecidos e sempre após uma investigação cuidadosa da causa da queda hormonal. Fazer reposição sem indicação pode trazer riscos e mascarar outros problemas de saúde", explica. Antes de iniciar qualquer tratamento, o paciente precisa passar por consulta, exame físico e exames laboratoriais. Também é necessário avaliar fatores como saúde cardiovascular, próstata, fertilidade e condições metabólicas. "Antes de iniciar a reposição, é indispensável realizar uma avaliação clínica detalhada, exame físico e exames laboratoriais. Também é importante investigar doenças cardiovasculares, alterações da próstata, fertilidade, distúrbios metabólicos e outros fatores que podem interferir na indicação do tratamento. A testosterona não deve ser utilizada por conta própria e exige acompanhamento médico periódico para garantir segurança e eficácia",alerta. A Sociedade Brasileira de Urologia também alerta que o uso indiscriminado de testosterona ou outros hormônios pode trazer riscos à saúde, como infertilidade, trombose e problemas cardiovasculares. Por isso, a indicação deve ser feita por profissional capacitado e com monitoramento contínuo.
O urologista Hudson de Sousa Ribeiro pontua qua a andropausa é diferente da menopausa feminina e nem todos os homens irão desenvolver sintomas relacionados à queda hormonal Saúde do homem Para o urologista, o Dia Nacional do Homem deve ser visto como uma oportunidade para quebrar tabus e reforçar a cultura do cuidado preventivo. A busca por atendimento apenas quando os sintomas já estão avançados pode atrasar diagnósticos e comprometer a qualidade de vida. "O homem costuma procurar atendimento apenas quando os sintomas já estão impactando sua qualidade de vida. A prevenção continua sendo o melhor caminho. Consultas periódicas permitem identificar precocemente alterações hormonais e diversas outras doenças, muitas vezes antes mesmo do aparecimento dos sintomas. Cuidar da saúde é um investimento na longevidade, na qualidade de vida e no bem-estar físico, emocional e sexual", comenta. Além da avaliação hormonal quando indicada, hábitos como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado, controle do peso e acompanhamento médico periódico são importantes para preservar a saúde física, emocional e sexual ao longo do envelhecimento. COMUNICAÇÃO SEM FRONTEIRAS

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