quarta-feira, 10 de junho de 2026
Mesmo com campanhas anuais, menos de 2% da população brasileira é doadora de sangue
Mesmo com campanhas anuais, menos de 2% da população brasileira é doadora de sangue
A cultura de doação de sangue ainda está longe de ser bem estabelecida no Brasil, e necessita de maior desmistificação sobre o procedimento, além de uma maior divulgação
Menos de 2% da população brasileira doa sangue pelo menos uma vez no ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Apesar de compatível com a taxa de 1% a 3% recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para uma nação, a Hematologista Maria Amorelli, que atende no centro clínico do Órion Complex, salienta que a necessidade de bolsas de sangue pode oscilar, tendo momentos em que é necessário uma reserva maior para suprir a demanda.
Junho é o mês da conscientização da doação de sangue, que culmina no Dia Mundial do Doador de Sangue em 14 de junho. A data foi instituída há 20 anos pela Assembleia Mundial da Saúde, com o objetivo de agradecer aqueles que fazem da doação um ato permanente de ajuda ao próximo, ao mesmo tempo que estimula novas pessoas a aderirem o gesto, desmistificando tudo que afasta a população dos hemocentros. Além disso, funcionários e servidores públicos federais têm o direito, garantido por lei, para se ausentar do trabalho um dia por ano para doar sangue, sem desconto no salário, desde que comprove o ato por meio de um atestado emitido pelo hemocentro ou banco de sangue.
Graças a campanhas contínuas, os hemocentros do país conseguem garantir picos de doação que dão suporte no suprimento de demanda de sangue. A Rede Estadual de Serviços Hemoterápicos (Rede Hemo) do Estado de Goiás, por exemplo, conseguiu registrar crescimento gradual no número de doadores de sangue nos primeiros meses de 2026, graças às campanhas - foram 21% de doadores em janeiro, 28% em fevereiro, 31% em março e 34% em abril. Neste mês, as campanhas são ainda mais fortes.
Ainda assim, a Dra. Maria Amorelli lembra que a frequência de doação no país ainda é muito pequena. “A incidência de doação ainda é muito baixa no Brasil, levando a consequências para o serviço de saúde. Com o desabastecimento dos hemocentros, pode haver, por exemplo, atraso nas cirurgias eletivas. Sem reserva de sangue, pacientes com doenças como a leucemia correm o risco de ter o tratamento interrompido. Em datas comemorativas e feriados, onde aumenta o índice de acidentes, também aumenta o consumo. Então é importante conscientizarmos a população da necessidade dessa doação”, afirmou a especialista.
Quem pode doar sangue?
Quando um hemocentro recebe doação de sangue, ele realiza a separação de componentes - Concentrado de Hemácias (CH), Concentrado de Plaquetas (CP), Plasma Fresco Congelado (PFC) e Crioprecipitado (CRIO). Cada componente, será usado em um tipo de tratamento diferente, de acordo com a necessidade do paciente. Nenhum desses componentes podem ser substituídos em um tratamento, ou seja, o sangue é insubstituível e vital para salvar a vida de milhões de pessoas.
Para quem deseja doar, só é preciso ir até um hemocentro portando documento de identificação. A idade mínima para doar sangue é 16 anos, com autorização dos pais. A idade máxima para quem já fez alguma doação é 69 anos, e para quem nunca doou é 60 anos. A pessoa precisa estar bem alimentada, e ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas. A Dra. Maria Amorelli lembra que também é necessário pesar mais do que 50 quilos.
“As mulheres podem fazer as doações até três vezes no ano, com um intervalo de 90 dias entre uma e outra. Para os homens a doação de sangue já pode ser mais frequente, incluindo em média quatro doações no ano, com um intervalo um pouco menor, de 60 dias”, explica a hematologista.
Quem não pode doar sangue?
Qualquer pessoa que está saudável - até mesmo alguns problemas de saúde não são impeditivos se a doença estiver controlada - pode doar. Dito isso, algumas doenças realmente inviabilizam o ato, como é o caso das doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV. Quem já teve hepatite B ou C também não pode doar.
“Algumas doenças autoimunes também impedem a doação, infelizmente, inclusive, doenças autoimunes como a tireoide impedem a doação de sangue. Se você está em tratamento de câncer ou alguma doença do coração grave, doença renal, doença pulmonar, também não pode praticar a doação de sangue”, conta a Dra. Maria Amorelli.
Muitas pessoas têm dúvida se uma pessoa com diabetes pode doar sangue. Se a doença estiver controlada, o paciente só usa comprimidos e não tem necessidade de insulina, ele pode sim fazer doação de sangue. Mas caso a doença esteja descontrolada, ele não pode.
“Eu acredito que, para a gente melhorar o acesso à doação, é importante que a gente conscientize a população da necessidade dessa doação. Qualquer pessoa que está saudável pode e deve vir doar”, completa a hematologista.
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