terça-feira, 7 de julho de 2026
Menopausa: Fogachos ganham tratamento não hormonal no Brasil
Fogachos da menopausa ganham tratamento não hormonal no Brasil
Aprovação da Anvisa abre nova perspectiva para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, especialmente pacientes em tratamento ou com histórico de câncer de mama. Especialistas do Grupo SOnHe explicam como esse avanço deve transformar a prática clínica e a qualidade de vida dessas mulheres.
Campinas/SP: Durante anos, mulheres que sofrem com os fogachos da menopausa e não podem recorrer à terapia hormonal conviveram com alternativas limitadas para aliviar os sintomas. Esse cenário começa a mudar com a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal autorizado no Brasil para o tratamento dos fogachos associados à menopausa. A novidade representa um avanço importante para a saúde da mulher, mas tem um impacto ainda mais significativo na oncologia, especialmente para pacientes com câncer de mama que entram em menopausa precoce em decorrência do tratamento e, justamente por isso, não têm indicação para reposição hormonal.
Os famosos fogachos da menopausa, também conhecidos como “calorão”, afetam cerca de oito em cada dez mulheres e vão muito além da sensação repentina de calor. Eles podem provocar alterações no sono, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e impactos importantes na vida social, profissional e emocional. Para mulheres que passaram por tratamento contra o câncer, esses sintomas costumam ser ainda mais intensos. Isso porque a quimioterapia, a hormonioterapia e, em alguns casos, a retirada dos ovários podem antecipar a menopausa, tornando os calorões mais frequentes e intensos.
Para Susana Ramalho, oncologista clínica do Grupo SOnHe, a aprovação do novo medicamento representa uma mudança aguardada há anos. "A chegada de um medicamento desenvolvido exatamente para controlar esses sintomas, sem interferir na segurança oncológica da paciente, representa uma evolução importante no cuidado. É uma conquista que impacta diretamente a qualidade de vida dessas mulheres."
Diferentemente da terapia hormonal, o fezolinetanto atua no sistema nervoso central. O medicamento bloqueia os receptores de neurocinina-3 (NK3), envolvidos na regulação da temperatura corporal, ajudando a reduzir a frequência e a intensidade dos fogachos e dos suores noturnos sem recorrer à reposição hormonal. Essa característica faz com que ele represente uma alternativa especialmente importante para mulheres com contraindicação ao uso de estrogênio.
Segundo o oncologista clínico Leonardo Silva, também do Grupo SOnHe, a novidade acompanha uma mudança importante na forma como a medicina tem encarado o tratamento oncológico. "Hoje, quando falamos em câncer, não pensamos apenas em controlar a doença. Pensamos em como essa mulher vai viver durante e depois do tratamento. Pacientes que permanecem cinco, sete ou até dez anos em hormonioterapia frequentemente enfrentam sintomas que comprometem o sono, o trabalho, os relacionamentos e até a adesão ao tratamento. Quando conseguimos controlar esses efeitos de forma segura, oferecemos mais conforto, mais qualidade de vida e favorecemos a continuidade do tratamento oncológico."
Mais do que disponibilizar um novo medicamento no Brasil, a aprovação da Anvisa reforça uma mudança de paradigma no cuidado à mulher durante a menopausa. Para os especialistas do Grupo SOnHe, a qualidade de vida deve caminhar lado a lado com o tratamento da doença, especialmente em um momento em que cada vez mais pacientes vivem por muitos anos após o diagnóstico de câncer. Nesse contexto, controlar os efeitos provocados pela menopausa deixa de ser apenas uma questão de conforto e passa a fazer parte do cuidado integral à saúde.
Susana Ramalho é oncologista clínica do Grupo SOnHe
Leonardo Silva é oncologista clínico do Grupo SOnHe
Sobre o Grupo SOnHe
O Grupo SOnHe - Oncologia e Hematologia é formado por 20 oncologistas e hematologistas que fazem atendimento oncológico alinhado às recentes descobertas da ciência, com tratamento integral, humanizado e multidisciplinar em importantes centros de referência, como o Hospital Vera Cruz, Hospital Santa Tereza, Hospital PUC-Campinas e Vera Cruz Indaiatuba. O SOnHe oferece excelência no cuidado oncológico e na produção de conhecimento de forma ética, científica e humanitária, por meio de uma equipe inovadora e sempre comprometida com o ser humano. Fazem parte do grupo os oncologistas André Deeke Sasse, David Pinheiro Cunha, Vinícius Correa da Conceição, Vivian Castro Antunes de Vasconcelos, Rafael Luís, Susana Ramalho, Leonardo Roberto da Silva, Higor Mantovani, Débora Curi, Amanda Negrini, Laís Feres, Nayara Nardini, Giselle Rocha, Nathalia Monnerat, Thaís Reina e pelos hematologistas Lorena Bedotti, Jamille Cunha, Lucas Weiss, Gessika Gutierrez e Guilherme Machado. Saiba mais: no portal www.sonhe.med.br e nas redes sociais.
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