segunda-feira, 27 de julho de 2026

Mais de 30 leilões por dia movimentam a pecuária brasileira e consolidam remates como termômetro do mercado

Mais de 30 leilões por dia movimentam a pecuária brasileira e consolidam remates como termômetro do mercado
Especialista goiano explica como os leilões evoluíram de simples vendas de animais para ambientes estratégicos de negócios, investimento em genética e formação de preços no campo Enquanto boa parte da comercialização de bovinos acontece diretamente entre produtores e frigoríficos, um segmento continua desempenhando papel estratégico para a pecuária brasileira: os leilões rurais. Segundo o Sindicato Nacional dos Leiloeiros Rurais, o país realiza cerca de 12 mil leilões de gado por ano, média de 34 eventos por dia, movimentando aproximadamente 7 milhões de animais anualmente. Os números refletem a dimensão de uma atividade que acompanha o crescimento do rebanho nacional. O Brasil possui cerca de 238 milhões de cabeças de bovinos, um dos maiores rebanhos comerciais do mundo, e os leilões continuam sendo um dos principais canais para comercialização de animais, disseminação de genética e definição de tendências de mercado. Em Goiás, estado que figura entre os maiores produtores de carne bovina do país, esse modelo de negociação mantém forte presença tanto na pecuária de corte quanto na de elite. Para o diretor-presidente da 3M Leilões, empresa sediada em Itapirapuã responsável por remates em diferentes regiões do Centro-Oeste, os leilões passaram por uma transformação significativa nas últimas décadas. "Hoje o leilão vai muito além da venda de animais. É um ambiente onde o produtor acompanha o comportamento do mercado, avalia a qualidade genética dos rebanhos, faz networking e toma decisões importantes para o próprio negócio. Os preços praticados acabam servindo como referência para toda a cadeia produtiva", afirma Guilherme Scatena Neto. Segundo ele, o crescimento da profissionalização da pecuária elevou também o nível dos remates. Animais com avaliações genéticas, dados de desempenho e histórico produtivo passaram a ganhar cada vez mais espaço nas pistas, permitindo que o comprador tenha mais segurança na hora de investir. Além da comercialização, os leilões também movimentam diversos setores da economia regional. Empresas de transporte, nutrição animal, reprodução, hotéis, restaurantes, prestadores de serviços e profissionais especializados participam direta ou indiretamente da realização dos eventos, que costumam reunir produtores de diferentes municípios e estados. Para Scatena, outro aspecto que explica a permanência dos leilões é a confiança construída entre vendedores e compradores. "Existe uma credibilidade muito grande nesse modelo. O produtor consegue apresentar seu trabalho, mostrar a qualidade do rebanho e negociar de forma transparente. Ao mesmo tempo, quem compra tem acesso a informações técnicas e pode comparar diferentes lotes em um único evento." Guilherme acompanha de perto a evolução do setor e avalia que a tendência é de fortalecimento dos remates especializados, principalmente aqueles voltados à genética e à reposição. "O mercado está cada vez mais técnico. O produtor busca eficiência, produtividade e animais capazes de entregar melhores resultados no campo. Os leilões acompanham essa evolução e continuam sendo uma importante ferramenta para conectar quem produz e quem investe na pecuária." @3mleilões

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