quarta-feira, 22 de julho de 2026
Goiás é destaque no Festival Visões Periféricas
Evento acontece de 23 a 26 de julho com produções audiovisuais das periferias.
Programação gratuita presencial e online reúne filmes de todo o Brasil e evidencia a potência criativa do cinema produzido fora dos grandes centros, por realizadores independentes.
Goiás se destaca com três filmes, um longa e dois curtas-metragens, incluindo documentário, ficção e animação.
Pioneiro na difusão do cinema nacional produzido fora dos grandes centros, o 19o. Festival Visões Periféricas inicia no dia 23 de julho a exibição de 69 produções selecionadas entre 856 inscrições — número 70% maior do que em 2025. A noite de estreia será com uma homenagem ao projeto Vídeo nas Aldeias, com a exibição do longa Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho. A programação gratuita segue até 26 de julho, reunindo obras de 18 estados, das cinco regiões do país. Goiás participa com três produções, sendo um documentário, um filme de ficção e uma animação.
Segundo os curadores Lukas Nascimento, Quézia Lopes, Olinda Tupinambá e Wilq Vicente, nessa edição as produções abarcam principalmente narrativas ligadas a mulheres, memória, identidades de gênero, culturas de terreiro, apagamentos históricos, vida nas cidades, questões ambientais e precarização do trabalho. Os filmes escolhidos foram divididos em sete mostras, sendo quatro competitivas e duas não competitivas. Um júri escolherá uma obra de cada mostra competitiva como vencedora. Haverá também o prêmio de melhor filme eleito pelo júri popular.
Entre as mostras competitivas estão Fronteiras Imaginárias (obras de até 25 minutos produzidas por realizadores independentes); Cinema da Gema (filmes de até 25 minutos produzidos no Estado do Rio de Janeiro); Panorâmica (médias e longas-metragens com duração mínima de 40 minutos); e Visorama (produções de até 15 minutos realizadas em projetos de formação audiovisual no ensino básico, médio ou em iniciativas do terceiro setor). Entre as mostras não competitivas estão: ICPLAY, com curtas especialmente selecionados para exibição na plataforma Itaú Cultural Play; Informativa, com filmes de longa-metragem; e a Mostra Visões do Amanhã, que inclui produções voltadas para o público infanto-juvenil.
Haverá também acesso aos filmes por streaming. Uma seleção especial será exibida exclusivamente na plataforma gratuita da Itaú Cultural Play, de 23 de julho a 6 de agosto. Outra possibilidade é a mostra Visorama online.
Goiás desponta com um documentário, um filme de ficção e uma animação
Único longa goiano no festival, Vasta natureza de minha mãe convida o público a refletir sobre a relação entre os espaços que habitamos e os rastros que deixamos. O cineasta Aristótelis Tothi concebeu o filme ao lado de sua mãe, Inez dos Santos, numa produção sobre a própria vida deles e sobre a como contar essa história no cinema. O projeto circulou por importantes festivais, como o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e o Panorama Internacional Coisa de Cinema.
Com direção e roteiro de Gabriel Newton, o curta A Tela parte de um gesto simples de uma jovem da periferia de Goiânia que pendura um quadro de dez mil reais na parede da casa onde vive com a avó. A partir disso, a história abre espaço para falar sobre arte, vontade, pertencimento e o direito de querer tudo. Gabriel Newton é diretor e roteirista formado em Audiovisual pela Universidade Estadual de Goiás. Sua obra se volta para narrativas que investigam a negritude, a periferia e as contradições sociais no Brasil contemporâneo.
O outro curta regional é Work OUT, uma animação de Alana Victória Soares de Souza. No filme, uma jovem, presa a um trabalho sem propósito, se lembra de um sonho esquecido da infância. Agora, ela precisa decidir entre o conforto do presente e o chamado de uma vocação que nunca se apagou.
20 anos de transformação do audiovisual periférico
Para Márcio Blanco, idealizador e coordenador geral do evento, os 20 anos do Visões Periféricas acompanharam a consolidação de um cinema que ampliou a diversidade de vozes e narrativas no audiovisual brasileiro. “Quando o festival surgiu, poucas pessoas olhavam para essa produção da periferia. Duas décadas depois, ela ocupa um espaço cada vez mais relevante, ajudando a romper estigmas, revelando a diversidade de olhares sobre questões nacionais e regionais e apresentando novos arranjos estéticos e criativos no audiovisual brasileiro”, diz ele. “Vejo também o interesse pela retomada da narrativa. Depois do consumo fragmentado de conteúdo nas redes sociais, o público jovem volta a valorizar o cinema como espaço de encontro e construção de experiências compartilhadas. O cinema é uma experiencia coletiva de socialização, de encontro e a narrativa é essa ferramenta de conexão entre as pessoas”, afirma.
Wilq Vicente, um dos curadores, destaca as mudanças nas temáticas apresentadas ao longo do tempo. “Se antes predominavam filmes de denúncia sobre temas urgentes, como violência, racismo, representatividade e território, hoje vemos obras mais elaboradas do ponto de vista narrativo e estético, com crescimento da ficção e mais subjetividade”, afirma. “As questões raciais e sociais continuam presentes, mas são apresentadas de forma mais elaborada, atravessando histórias sobre trabalho, afetos, relações familiares e amor”, diz o curador, autor dos livros "Cinema de periferia: narrativas do século 21" (Editora Funilaria) e "Quebrada? Cinema, vídeo e lutas sociais" (USP). Segundo ele, as produções inscritas mostram também a relevância de políticas públicas de financiamento e apoio, como a Lei Paulo Gustavo e a Lei Aldir Blanc, surgidas durante a pandemia. “Pela primeira vez chegaram ao festival filmes de cidades e estados que nunca haviam participado e muitos com apoio dessas duas leis”, diz ele
Entre as atividades do festival se destaca também o Visões Lab, laboratório gratuito de desenvolvimento de projetos audiovisuais, dedicado à formação, articulação de mercado e aprimoramento de projetos cinematográficos, a ser realizado entre 21 e 26 de julho de 2026, paralelamente às mostras.O Festival Visões Periféricas é um projeto da Supimpa Produções Artísticas e Culturais, com patrocínio do Banco Itaú e apoio do Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, e RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc. A programação completa, incluindo sessões com legendas descritivas e Libras, pode ser conferida no site do evento.
FILMES DE GOIÁS
Vasta natureza de minha mãe
Documentário | 79' | GO | 2025 | 14 anos
Direção: Aristótelis Tothi e Inez dos Santos
Sinopse: Mãe e filho descobrem juntos como filmar a vida dentro de casa. A trajetória de Inez é percorrida em diferentes tempos, enquanto Aristótelis registra o cotidiano, reinventando e capturando a natureza de sua mãe. A câmera se torna um elo entre o tempo e espaço, permitindo aos dois a possibilidade de continuar sonhando.
A Tela
Ficção | 21’ | GO | 2025 | Livre
Direção: Gabriel Newton
Sinopse: Martinha pendura um quadro de dez mil reais na parede da casa simples onde vive com a avó. O gesto inicia uma jornada íntima sobre arte, desejo e o direito de querer tudo, sendo uma mulher negra.
Work OUT
Animação | 2’ | GO | 2025 | Livre
Direção: Alana Victória Soares de Souza
Sinopse: Uma jovem, presa a um trabalho sem propósito, se lembra de um sonho esquecido da infância. Agora, ela precisa decidir entre o conforto do presente e o chamado de uma vocação que nunca se apagou.
Programação completa: https://www.visoesperifericas.com.br/home
SERVIÇO
Festival Visões Periféricas 2026
De 23 e 26 de julho
Programação completa: www.visoesperifericas.com.br
Verificar classificação indicativa de cada filme
Júnia Azevedo
junia@escritacomunicacao.com.br
www.escritacomunicacao.com.br
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