terça-feira, 7 de julho de 2026

Einstein participa de estudo que avalia estratégia sem implante de stent para artérias coronárias calcificadas

Estudo com participação do Einstein avalia estratégia sem implante de stent para artérias coronárias calcificadas Técnica combinando litotripsia intravascular e balão farmacológico mostrou resultados promissores em pacientes com vasos coronários de pequeno calibre e calcificação severa
Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita desenvolveram um estudo internacional inédito, junto à Universidade de Verona, na Itália, que investigou uma alternativa ao uso permanente de stents em pacientes com artérias coronárias de pequeno calibre e severamente calcificadas – um dos cenários mais desafiadores da cardiologia intervencionista. Os resultados foram apresentados no EuroPCR 2026, um dos principais congressos mundiais da área cardiovascular. A pesquisa avaliou a combinação entre litotripsia intravascular (IVL, na sigla em inglês) e balão farmacológico (DCB) em 50 pacientes tratados na Itália e no Brasil. A estratégia busca restaurar o fluxo sanguíneo nas coronárias sem deixar implantes metálicos permanentes no vaso, como ocorre nos procedimentos convencionais com stents. A litotripsia intravascular é uma técnica que utiliza ondas de choque para fragmentar o cálcio acumulado na parede das artérias, facilitando o preparo adequado da placa aterosclerótica antes do uso de balões ou stents. No estudo apresentado, após esse preparo com litotripsia, foi utilizado um balão revestido com paclitaxel — medicamento que ajuda a reduzir o risco de nova obstrução do vaso — sem a necessidade de implante de stent. Segundo os pesquisadores Pedro Alves Lemos, diretor de Cardiologia do Einstein Hospital Israelita, e Guy Fernando de Almeida Prado Junior, cardiologista intervencionista do Einstein Hospital Israelita, a proposta pode representar uma mudança importante em casos complexos. Isso porque, embora os stents tenham revolucionado o tratamento da doença coronariana, eles continuam permanentemente na artéria e podem estar associados, ao longo do tempo, a novas obstruções, inflamação local e necessidade de reintervenções. “O conceito deste estudo é particularmente interessante porque tenta tratar lesões coronárias calcificadas sem deixar uma estrutura metálica definitiva dentro da artéria. Em pacientes selecionados, isso pode favorecer uma resposta vascular mais fisiológica ao longo do tempo”, explica o Dr. Pedro Lemos. “Os resultados iniciais demonstraram um perfil bastante favorável de segurança e eficácia, sem ocorrência de morte cardíaca, infarto ou necessidade de nova revascularização relacionada à lesão tratada no primeiro mês após o procedimento”, afirma o Dr. Guy Prado. As análises angiográficas também apontaram sinais de remodelamento positivo dos vasos tratados – fenômeno em que a artéria mantém ou até amplia seu calibre após o procedimento, diferentemente do que costuma ocorrer em vasos tratados com stents metálicos. “O estudo traz evidências iniciais de que a combinação entre litotripsia intravascular e balão farmacológico pode ser uma alternativa viável em casos de calcificação coronária severa, especialmente em vasos pequenos, onde o implante de múltiplos stents tende a ser menos favorável”, diz Lemos. Os pesquisadores ressaltam que os resultados ainda são preliminares e que estudos maiores, comparativos e com acompanhamento de longo prazo serão necessários para confirmar a segurança e a eficácia da estratégia. FatoMais Comunicação -

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