terça-feira, 7 de julho de 2026
Dor crônica afeta cerca de 40% dos brasileiros
Dor crônica afeta cerca de 40% dos brasileiros e desafia a saúde pública
Condição vai além do sofrimento físico, compromete a saúde mental, reduz a qualidade de vida e está entre as principais causas de incapacidade e afastamentos do trabalho
Cerca de 40% dos brasileiros, o equivalente a quatro em cada dez pessoas, convivem com algum tipo de dor crônica, segundo o Ministério da Saúde. Caracterizada pela persistência dos sintomas por mais de três meses, a condição é considerada um importante problema de saúde pública por comprometer a qualidade de vida, favorecer o desenvolvimento de transtornos como ansiedade e depressão e provocar impactos econômicos relacionados aos afastamentos do trabalho e à redução da produtividade.
Apesar de atingir milhares de pessoas, a dor crônica ainda é cercada por desinformação e, muitas vezes, tratada apenas como um sintoma, quando na verdade exige diagnóstico preciso e acompanhamento contínuo. Entre as condições mais frequentes estão a fibromialgia, a lombalgia, a enxaqueca crônica e as dores musculoesqueléticas, responsáveis por limitar atividades cotidianas e comprometer a autonomia de muitos pacientes.
Mais do que um problema físico, a dor persistente interfere diretamente na saúde emocional. A convivência diária com os sintomas pode desencadear ou agravar quadros de ansiedade, depressão, estresse e isolamento social, afetando também os relacionamentos familiares, a vida profissional e a autoestima.
Segundo a psicóloga Jordana Ribeiro, é preciso compreender que a dor crônica transforma a forma como o paciente percebe a própria vida e se relaciona com o mundo.
"A dor crônica modifica a forma como a pessoa se relaciona com o mundo, com sua rotina e consigo mesma. Quando não há acolhimento adequado, o sofrimento emocional tende a se intensificar e criar um ciclo difícil de romper", explica.
Além dos impactos individuais, a condição também gera reflexos econômicos importantes. A dor crônica está entre as principais causas de licenças médicas, afastamentos prolongados e aposentadorias por incapacidade, reduzindo a produtividade e aumentando os custos para empresas e para os sistemas público e privado de saúde.
Para Jordana Ribeiro, romper o silêncio em torno da doença é fundamental para que mais pessoas busquem ajuda especializada e tenham acesso ao tratamento adequado.
"Precisamos parar de tratar a dor apenas como um sintoma isolado. Ela é uma condição complexa que exige cuidado multidisciplinar, informação e empatia. Quanto mais falamos sobre o tema, mais pessoas conseguem buscar ajuda e tratamento adequado", afirma.
Especialistas defendem que o enfrentamento da dor crônica passa pelo diagnóstico precoce e por uma abordagem multidisciplinar, reunindo profissionais de diferentes áreas da saúde.
O tratamento adequado não busca apenas aliviar os sintomas, mas também devolver autonomia, preservar a saúde mental e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
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