sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Ozempic e Mounjaro podem impactar saúde bucal e exigem atenção odontológica

Ozempic e Mounjaro podem afetar a saúde bucal e exigem acompanhamento odontológico mais próximo Efeitos gastrointestinais descritos em bula podem repercutir na cavidade oral e pedem adaptação de protocolos clínicos O crescimento do uso de medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic, e de tirzepatida, como o Mounjaro, ampliou o debate sobre os impactos sistêmicos desses fármacos. Indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e também prescritos para controle de peso, eles têm como reações adversas mais comuns náusea, vômito, diarreia e constipação, conforme descrito nas bulas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Embora não sejam medicamentos odontológicos, os efeitos gastrointestinais podem repercutir na saúde bucal. Sabrina Balkanyi, dentista formada pela USP, empresária à frente de unidades odontológicas próprias e mentora de clínicas em todo o país, afirma que o consultório precisa estar atento a esse novo perfil de paciente. “Os medicamentos não atacam diretamente os dentes, mas os efeitos colaterais descritos em bula, como náusea e refluxo, podem alterar o ambiente bucal. O dentista precisa investigar essas informações na anamnese”, explica. Segundo diretrizes da American Dental Association, a saliva exerce papel essencial na proteção contra cárie, erosão e doença periodontal. A redução do fluxo salivar, conhecida como xerostomia, está associada ao aumento do risco de lesões cariosas e inflamações gengivais. Embora boca seca não seja listada entre os eventos adversos mais frequentes desses medicamentos, pode ocorrer secundariamente à desidratação, à diminuição da ingestão alimentar ou a alterações gastrointestinais persistentes. Além disso, episódios repetidos de vômito ou refluxo expõem os dentes ao ácido gástrico, favorecendo desgaste do esmalte. “Quando há contato ácido frequente, o esmalte fica mais vulnerável. Se o paciente escova imediatamente após o episódio, pode potencializar a erosão”, alerta. Ela ressalta que a conduta deve ser preventiva e baseada em evidências. “Não se trata de suspender o medicamento, que tem indicação médica específica, mas de ajustar o cuidado odontológico à condição sistêmica do paciente”, afirma. A especialista aponta cinco cuidados para proteger a saúde bucal de quem usa Ozempic e Mounjaro Antes de detalhar as recomendações, a especialista reforça que acompanhamento regular reduz riscos e permite intervenções conservadoras. A adaptação do protocolo clínico é uma medida de segurança, não de alarme. Entre os principais cuidados e vantagens de um seguimento adequado, ela destaca cinco pontos: Reforçar a hidratação diária A ingestão adequada de água auxilia na manutenção do fluxo salivar e na proteção natural dos dentes. Avaliar sinais de boca seca Em caso de xerostomia persistente, o dentista pode indicar estimulantes salivares ou saliva artificial, conforme avaliação individual. Fortalecer o esmalte com flúor O uso de dentifrícios fluoretados, conforme recomendado por entidades odontológicas, e aplicações tópicas em consultório ajudam a reduzir o risco de cárie. Evitar escovação imediata após refluxo A orientação é aguardar cerca de 30 minutos antes da higiene bucal, permitindo a neutralização do pH oral. Antecipar consultas preventivas Intervalos menores entre retornos possibilitam diagnóstico precoce de erosão dental e inflamações gengivais. “Quando o acompanhamento é individualizado, o paciente consegue manter equilíbrio entre o tratamento metabólico e a saúde bucal. O segredo está na integração das informações”, afirma. Adaptação de protocolos nas clínicas Para as clínicas, o primeiro passo é revisar fichas de anamnese e incluir perguntas específicas sobre uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida. Em seguida, é fundamental capacitar a equipe para reconhecer sinais de erosão, boca seca e sensibilidade aumentada. A especialista também recomenda diálogo com o médico assistente quando houver alterações relevantes. “A odontologia faz parte da saúde integral. Quanto mais integrada estiver ao restante da equipe multiprofissional, maior será a segurança do paciente”, diz. O avanço desses medicamentos representa mudança importante no perfil clínico contemporâneo. “A boca reflete o que acontece no organismo. O dentista que compreende essa conexão atua de forma mais preventiva e responsável”, conclui.
Sobre Sabrina Balkanyi Sabrina Balkanyi é dentista formada pela USP, empresária e mentora de dentistas. Há mais de 20 anos dedica-se a construir uma odontologia humana, com foco em transformar vidas por meio de sorrisos. Seu propósito é formar profissionais que, além de excelentes clínicos, também sejam grandes empresários da própria trajetória. Hoje atua 100% na gestão de suas unidades odontológicas, liderando áreas como estratégia, finanças, vendas, captação de pacientes e marketing. Também desenvolve produtos digitais cursos, mentorias, imersões e o Clube do Livro Além da Técnica, voltado a dentistas e profissionais autônomos que desejam fortalecer a gestão de seus negócios. Para mais informações, visite o site oficial, Linkedin ou o Instagram. Fontes de pesquisa Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/q/?numeroRegistro=11766003 https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/q/?numeroRegistro=112600205 American Dental Association (ADA) https://www.ada.org/resources/research/science-and-research-institute/oral-health-topics/xerostomia Carolina Lara WhatsApp +55 (11) 99140-9229

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