segunda-feira, 15 de junho de 2026

"Segunda adolescência": por que tantas pessoas se reinventam após os 45

"Segunda adolescência": por que tantas pessoas se reinventam após os 45 Divórcios, mudanças de carreira e novos começos: para Candice Pomi, psicóloga e gerontóloga, essa fase marca reorganização emocional, identitária e profissional na maturidade A ideia de que a vida adulta segue uma trajetória linear (estudo, estabilidade profissional e aposentadoria) está cada vez mais distante da realidade contemporânea. Para a psicóloga e gerontóloga formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein Candice Pomi, o que se observa após os 45 anos não é uma “crise de meia-idade”, mas um processo mais profundo de reorganização de identidade. Candice define esse momento como uma espécie de “segunda adolescência”, fase em que escolhas profissionais, afetivas e de estilo de vida passam a ser reavaliadas com mais consciência de tempo, limites e desejo de coerência pessoal. “O que acontece após os 45 anos não é uma ruptura sem sentido. É uma reorganização interna importante, em que a pessoa começa a se perguntar se a vida que construiu ainda representa quem ela é hoje”, explica a especialista. Esse movimento aparece em diferentes dimensões da vida adulta: mudanças de carreira, divórcios, retomada de estudos, novas relações afetivas e até migração de país. Para Candice, essas mudanças têm uma raiz comum: a revisão da identidade construída nas décadas anteriores. “Existe uma desconexão que muitas pessoas começam a sentir entre a vida que levam e a vida que desejam continuar vivendo. A partir disso, surgem decisões que podem parecer radicais de fora, mas que internamente são coerentes com um processo de amadurecimento”, afirma. Do ponto de vista estrutural, esse fenômeno também se conecta ao aumento da expectativa de vida. Em países da OCDE, ela já ultrapassa os 80 anos, o que reposiciona os 45 anos não como “meio do caminho”, mas como início de uma nova etapa de vida ativa e produtiva. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico indicam ainda que as carreiras estão mais longas e menos lineares, com maior mobilidade profissional na maturidade. O relatório aponta que mudanças de emprego após os 45 anos podem estar associadas a aumento de satisfação e melhores condições de trabalho, especialmente quando são voluntárias. Para Candice, esses dados ajudam a desmontar a ideia de que estabilidade profissional na maturidade é sinônimo de permanência: “Existe uma narrativa antiga de que, depois dos 40, a vida deveria se estabilizar. Mas, na prática, muitas pessoas estão justamente nesse momento fazendo ajustes importantes para conseguir sustentar uma vida mais saudável emocionalmente e mais coerente com seus valores”, diz. Ela observa ainda que a mudança não é, necessariamente, impulsiva ou desorganizada e sim o resultado de um processo emocional acumulado ao longo dos anos: “O sofrimento raramente começa na decisão de mudar. Ele costuma vir antes, na permanência prolongada em situações que já perderam sentido”, explica a especialista. Para Candice, a chamada “segunda adolescência” não deve ser interpretada como instabilidade, mas como um dos efeitos mais concretos do aumento da longevidade e da transformação das relações entre identidade e trabalho: “Nesse novo cenário, a maturidade deixa de ser um ponto de consolidação definitiva e passa a ser uma etapa de reescrita possível. E talvez a mudança mais significativa não esteja no fato de as pessoas se reinventarem após os 45, mas no fato de que, pela primeira vez, elas estão se permitindo fazer isso sem pedir desculpas por recomeçar”, conclui ela. Sugestão de box: Como entender e atravessar a “segunda adolescência” com mais consciência Reconheça o que mudou em você ao longo do tempo “Valores, prioridades e desejos não são estáticos, eles evoluem”, diz Candice. Diferencie impulso de maturação de decisão “Nem toda mudança é fuga; muitas são alinhamento interno”, fala. Considere o tempo como ativo, não como limite “Após os 45, há ainda décadas de vida produtiva e afetiva”, explica a psicóloga. Observe o custo emocional da permanência “Ficar onde não há mais sentido também é uma escolha e ela tem impacto psicológico” Busque apoio para organizar a transição, não apenas decidir a mudança “Processos de reinvenção são mais sustentáveis quando acompanhados”, diz. Sobre Candice Pomi Depois de 24 anos de carreira no mercado corporativo, Candice decidiu investir naquilo que acredita ser realmente importante na vida: saber envelhecer bem. E assim, com cara e coragem, mergulhou nos estudos da Longevidade. Psicóloga, especializada em Gerontologia pelo Albert Einstein e defensora de que o envelhecimento é uma fase a ser encarada com leveza e preparo prévio, Candice desenvolveu o Programa de Mentoria em Longevidade®, com o propósito de inspirar indivíduos e grupos a planejarem de forma intencional suas jornadas de envelhecimento. E assim, desde 2019 tem auxiliado corporações no combate ao Etarismo e orientado grandes marcas na construção de diálogos mais autênticos com o público 45+. Co-autora do 1º Manual Boas Práticas contra o Etarismo da América Latina - em parceria com a ABA (Associação Brasileira de Anunciantes), a especialista tem a missão de ressignificar o Envelhecimento no Brasil e democratizar a cultura gerontológica através de seus escritos sobre Envelhecimento Ativo e Consciente com a sua marca, a Beyond Age. Em 2024 estreou como apresentadora do Podcast "Tantos Tempos", que aborda o tema "Longevidade" com diferentes perspectivas através de uma dupla de convidados. Prima Donna Comunicação Tatiana Fanti tatiana@primadonna.etc.br

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