quarta-feira, 10 de junho de 2026

Locações por Arbnb avançam em Goiânia e reacendem debate sobre convivência em condomínios

Locações por temporada avançam em Goiânia e reacendem debate sobre convivência em condomínios Crescimento impulsionado por eventos e novos empreendimentos divide opiniões entre moradores e investidores. O especialista em mercado imobiliário aponta tendência de expansão com necessidade de regras claras O avanço das locações por temporada em Goiânia tem ampliado o debate sobre os limites desse modelo de hospedagem em condomínios residenciais. Impulsionada por plataformas digitais e fortalecida por grandes eventos realizados na capital, a modalidade ganhou espaço nos últimos anos e passou a gerar discussões sobre segurança, privacidade e uso das áreas comuns dos empreendimentos. O tema voltou ao centro das atenções após decisão recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que entendeu que a exploração frequente de locações de curta duração em condomínios pode depender da aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos. O entendimento considera que a atividade, quando realizada de forma reiterada e com finalidade econômica, pode alterar a destinação originalmente residencial dos edifícios. Em Goiânia, a discussão ganhou força especialmente após a realização do MotoGP 2026 no Autódromo Internacional Ayrton Senna. O evento provocou alta procura por hospedagens, elevou os preços da rede hoteleira e ampliou a visibilidade das plataformas de aluguel por temporada. Segundo o advogado especialista em mercado imobiliário Diego Amaral, embora o modelo esteja em franca expansão, o principal impacto ainda é sentido pelo setor de hospedagem tradicional. “Quando falamos em locação por temporada, o impacto mais imediato ocorre sobre o sistema hoteleiro, que passa a disputar espaço com uma alternativa muitas vezes mais flexível e atrativa para determinados perfis de visitantes”, afirma. A popularização desse formato também desperta preocupações dentro dos condomínios. Moradores relatam aumento da circulação de pessoas desconhecidas, maior utilização das áreas comuns e mudanças na rotina dos edifícios. Em diversas cidades brasileiras, síndicos e residentes apontam que a constante entrada e saída de hóspedes pode gerar sensação de insegurança e conflitos de convivência. Para Amaral, a principal atenção deve estar voltada para as regras internas de cada empreendimento. “O proprietário precisa analisar cuidadosamente a convenção condominial antes de investir em um imóvel com objetivo de exploração por temporada. Em muitos casos, a ausência de previsão expressa pode gerar questionamentos futuros e até restrições à atividade”, explica. Apesar dos debates, o especialista destaca que ainda não existe evidência de que o crescimento das locações temporárias esteja provocando aumento generalizado dos aluguéis residenciais na capital. “Existem alguns nichos específicos, principalmente estúdios e apartamentos compactos, que acabam sendo mais procurados para esse tipo de exploração. Mas isso não significa, necessariamente, uma redução significativa da oferta de imóveis para locação tradicional em Goiânia”, ressalta.
O advogado observa que os interesses dentro dos condomínios costumam ser distintos. Enquanto investidores enxergam uma oportunidade de ampliar a rentabilidade dos imóveis, moradores permanentes tendem a priorizar estabilidade, segurança e tranquilidade. “Não existe um lado certo ou errado. São interesses diferentes convivendo dentro do mesmo ambiente. O morador busca previsibilidade e sensação de pertencimento. Já o investidor busca retorno financeiro. O desafio é encontrar mecanismos que permitam o equilíbrio dessas expectativas”, avalia. Mesmo diante das controvérsias, o mercado imobiliário já se adapta à nova realidade. Empreendimentos lançados recentemente em Goiânia passaram a incorporar, desde a fase de projeto, estruturas voltadas para locações de curta duração, incluindo acessos independentes e regras específicas para hóspedes. “É uma tendência sem volta. O mercado já percebeu a demanda e começou a desenvolver produtos imobiliários preparados para esse perfil de uso. Goiânia acompanha um movimento que já se consolidou em grandes centros urbanos do país”, afirma Diego Amaral. Para o especialista, o crescimento das locações por temporada representa uma transformação no mercado imobiliário da capital, mas exige regulamentação clara e diálogo entre moradores, investidores e administradores de condomínios para evitar conflitos e garantir segurança jurídica para todos os envolvidos. Johny Cândido Assessor de imprensa - Jornalista Registro Profissional nº GO 02807

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