sexta-feira, 5 de junho de 2026
CASACOR SÃO PAULO 2026: Da terra ao solo
CASACOR SÃO PAULO 2026: Da terra ao solo
Mais que um jardim, um manifesto sobre a arte, a cultura, a biodiversidade e as origens brasileiras
Em sua primeira participação solo na CASACOR São Paulo, a paisagista Maria Fernanda Marques assina a maior área e leva o paisagismo ecológico para a fachada do evento. São mais de 3 mil plantas de 70 espécies diferentes, sendo 99% nativas, reunidas ao trabalho de artesãos e artistas de diversas regiões do Brasil. O jardim “Da Terra ao Solo” é um manifesto sobre brasilidade, biodiversidade e as mãos que dão forma à nossa cultura. Foi criado para ser visto e sentido, para despertar os sentidos e reaproximar o ser humano da natureza e de si mesmo.
O tema Mente e Coração da edição 2026 encontrou em Maria Fernanda Marques uma resposta que ultrapassa o paisagismo. Seu espaço foi pensado para despertar todos os sentidos, tão belo de contemplar quanto de sentir, respirar e habitar. “Ocupar a maior e mais visível área da mostra não é acaso: é dar à natureza e a quem a cultiva o lugar de destaque que elas merecem”, afirma.
Da terra ao solo
O nome do projeto carrega a sua essência. A terra, sozinha, é matéria pobre, sem vida e sem trocas. O solo é outra coisa: é a terra que ganhou vida, onde raízes, microrganismos, água e minerais se relacionam e se complementam, sustentando tudo o que existe sobre o planeta. Transformar terra em solo é a base de qualquer jardim. E é também o resumo do que aconteceu neste espaço. As imagens do antes e depois (fotos) revelam a transformação de um chão empobrecido em um ecossistema rico, biodiverso e em equilíbrio, onde cada elemento beneficia o outro.
Antes x Depois
A natureza como cuidado
Não é por acaso que o jardim ocupa a fachada. Estar na entrada da mostra é um gesto simbólico: de colocar a reconexão com a natureza diante dos olhos, antes de tudo. O contato com o verde está associado à queda dos níveis de estresse e de ansiedade, à redução da pressão arterial e ao aumento das sensações de prazer e tranquilidade. No Japão, o banho de floresta já integra recomendações médicas. Mente e coração batem no mesmo compasso quando a natureza está por perto.
“Quando o jardim entra em equilíbrio, ele equilibra também quem o atravessa.”
Uma imersão para desacelerar em um jardim vivo
Os caminhos são tortuosos, de formas orgânicas, feitos para desacelerar o passo e devolver o tempo a quem caminha. A vegetação avança sobre o percurso, entra pelas bordas e se mistura ao piso, de modo que natureza e caminho se completam e se equilibram com naturalidade.
Muitas das 70 espécies diferentes, sendo 99% nativas do Brasil, vieram para devolver ao parque a vegetação que um dia foi retirada dali, mas o jardim vai além das fronteiras locais e propõe ser o país do presente, na valorização da arte, a cultura e do ambiente natural biodiverso.
As obras do artista João Machado são casas projetadas para abrigar abelhas nativas sem ferrão, feitas por processos ancestrais de queima, e no espaço cumprem o papel de despertar a consciência sobre o quanto os polinizadores são essenciais à vida. As abelhas nativas chegam a elevar em até 30% a produção de flores e frutos de um jardim. Ao lado delas, um hotel de insetos construído artesanalmente, com técnicas e elementos naturais, reforça o convite a enxergar esses seres com outros olhos. Em pouco tempo, o jardim passou a receber a visita de saguis, pássaros, abelhas e uma diversidade de insetos, sinal de que o bioma voltou a pulsar. Sem eles, não haveria vida sobre a Terra.
A arte e o design brasileiros
O espaço é uma reverência ao que o Brasil cria com as próprias mãos. O banco Cacau e outras peças de Jay Boggo, um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea. O mobiliário da Casa Teo, que carrega a memória do design nacional. As obras de Carol Ambrosio, que unem esculturas de concreto a peças antigas garimpadas ao longo do tempo, na técnica do assemblage. Um quadro da Casa Bast e os objetos de coração de O Designer Artesão conversam com a poesia do lugar. Cada peça é também um ofício preservado, uma história brasileira que se recusa a desaparecer.
A própria materialidade do jardim fala de natureza. Os pisos e cobogós drenantes da Lepri são feitos de elementos naturais e traduzem a biofilia em cada textura. Os vasos de cerâmica são moldados por mulheres do sertão nordestino, reunidas em cooperativas (Jatti Vasos). Os bancos rústicos de madeira maciça da Tabua Brasil resultantes de manejo florestal. Até a luz acompanha o conceito: a iluminação do jardim, executada pela Lightin Garden com projeto luminotécnico de Carlos Portes e luminária Interligh compõe o projeto. As luminária de capim dourado assinada por Ana Neute para a Itens, de micélio da Olá.Cria, o abajur da Essencial Luz e as almofadas da Baziotti Decor proporcionam o conforto sem se afastar dos materiais que vêm da terra.
Um encontro de mundos
O projeto de Maria Fernanda se entrelaça com o do arquiteto e designer holandês Edward van Vliet. Com cerca de 370 m² próprios, o verde da paisagista se estende para abraçar o espaço de Edward e alcança aproximadamente 400 m², a maior área da mostra em 2026. Elementos materiais, espécies vegetais e o Cobogó Fiori costuram essa conversa entre dois mundos.
O Escritório do Paisagista
Ao fim do percurso, o jardim se abre para o Escritório do Paisagista, o primeiro ambiente interno da mostra. Se o jardim é o manifesto, o escritório é a raiz. Ali, mais de duas décadas de trajetória se revelam em projetos do início da carreira, em livros sobre cuidado do solo, agroecologia e ecologia, em mobiliário brasileiro e em desenhos feitos à mão pela própria Maria Fernanda. A concepção e a organização do espaço contaram com Olivia Sanches e Téo Vilela, a montagem com Rafael Abi Madi. É ali que tudo se enraíza, porque todo jardim, muito antes de brotar, começa em quem o imagina.
LINK PARA AS IMAGENS EM ALTA E EM BAIXA: https://drive.google.com/drive/folders/1jiX_BMQcBerhS7RcevYvsECTKyqg7Rz4?usp=sharing
Apoio e parceiros
Lepri (pisos e cobogós cerâmicos), João Machado (casas de abelhas nativas), Jatti Vasos (vasos de cerâmica), Light in Garden (iluminação do jardim), Casa Teo (mobiliário), Itens e Ana Neute (luminária de capim dourado), Olá.Cria (luminária de micélio), Tabua Brasil (bancos de captura de carbono), Jay Boggo (arte e artesanato), Carol Ambrosio (assemblages), Casa Bast (quadro), Baziotti Decor (almofadas), Essencial Luz (abajur), O Designer Artesão (objetos de coração), Flora Campineira e Árvores Sereno (plantas). Concepção: Olivia Sanches e Téo Vilela. Montagem: Rafael Abi Madi.
Serviço — CASACOR São Paulo 2026
Onde: Parque da Água Branca, Rua Dona Ana Pimentel, 37
Quando: de 02 de junho a 09 de agosto de 2026, das 11h às 22h
Mais informações: www.casacor.comSobre Maria Fernanda Marques · @mfmpaisagismo
O trabalho de Maria Fernanda Marques parte da compreensão de que a natureza não é cenário, mas presença viva, e de que um jardim bem concebido transforma a forma como um espaço é habitado e, sutilmente, transforma também quem o vive. Ao longo de mais de duas décadas, ela uniu o paisagismo ecológico e regenerativo, a ciência do solo e um conhecimento profundo da flora brasileira numa leitura da natureza como expressão da arte. São jardins que desaceleram o corpo, organizam o espaço e devolvem sentido ao tempo. Maria Fernanda estreou na CasaCor São Paulo em 2019, em parceria, e retorna em 2026 assinando seu primeiro espaço solo.
Escritório: Estrada do Mirante, 964, Jarinu. · Contato: 11 99358-7192.
Instagram: @mfmpaisagismo · Sites: quemsomosnos.acasademaria.com · mfm-roi.acasademaria.com
MAFER Comunicação · www.mafer-comunicacao.com.br. Jornalista responsável: Silvia Celani, MTb/23.894. WhatsApp: (11) 98411-9575. silvia@mafer-comunicacao.com.br
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