segunda-feira, 25 de maio de 2026
InfectoTchê 2026 reforça o papel da Infectologia diante dos novos desafios da saúde
InfectoTchê 2026 reforça o papel da Infectologia diante dos novos desafios da saúde
Evento promovido pela Sociedade Gaúcha de Infectologia reuniu especialistas em Porto Alegre e deixou como mensagem central a necessidade de unir ciência, prevenção e cuidado integrado em benefício dos pacientes
O InfectoTchê 2026 encerrou sua programação neste sábado, dia 23 de maio, no Hotel Hilton Porto Alegre, com uma agenda voltada à integração do cuidado em saúde, aos desafios do enfrentamento do HIV no Rio Grande do Sul e à atualização sobre doenças fúngicas invasivas. Promovido pela Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), o encontro reuniu médicos infectologistas, especialistas de diferentes áreas, residentes, pesquisadores e profissionais da saúde em dois dias de debates sobre prevenção, diagnóstico, tratamento e políticas de cuidado em doenças infecciosas.
Na avaliação do presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia, Dimas Alexandre Kliemann, o evento cumpriu o papel de aproximar a Infectologia da realidade dos serviços e das necessidades da população.
“O InfectoTchê mostrou a força da nossa especialidade em temas que atravessam o consultório, o hospital e a saúde pública. Discutimos prevenção, vacinas, HIV, resistência bacteriana, doenças fúngicas e cuidado integrado sempre com o olhar voltado para o paciente e para a qualificação da assistência”, afirmou o presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia, Dimas Alexandre Kliemann.
Saúde da mulher e HIV
A programação do sábado começou com o Módulo Saúde da Mulher, trazendo temas que ampliaram o olhar sobre o cuidado de pessoas vivendo com HIV. A palestrante Roberta Schiavon, do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo (CRT-SP), abordou a relação entre menopausa e HIV. A palestrante explicou que o diagnóstico corresponde à interrupção permanente da menstruação por 12 meses consecutivos e destacou que, embora a idade média seja em torno dos 50 anos, alterações antes dos 45 anos exigem atenção clínica.
“Qualquer oligomenorreia ou amenorreia antes dos 45 anos não deve ser encarada com tranquilidade. É preciso investigar, porque a menopausa precoce e a insuficiência ovariana prematura têm impacto importante e precisam ser rastreadas”, afirmou.
Na sequência, a palestrante Letícia Ikeda, da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS), discutiu a situação de mulheres vulnerabilizadas no Estado. A especialista destacou que a vulnerabilidade das mulheres no Rio Grande do Sul também precisa ser compreendida a partir das falhas programáticas do sistema de saúde. Segundo ela, barreiras no acesso à testagem e aos cuidados, fragmentação da assistência e ausência de uma abordagem integral dificultam a prevenção, o diagnóstico e o acompanhamento adequado, ampliando desigualdades e comprometendo a continuidade do cuidado.
HIV exige integração entre especialidades
Um dos pontos centrais da manhã foi a mesa redonda sobre integração de cuidados no enfrentamento da epidemia de HIV no Rio Grande do Sul. A proposta foi discutir qual é o papel de diferentes especialidades na prevenção, no diagnóstico precoce, no encaminhamento adequado e no acompanhamento dos pacientes.
A visão da Proctologia foi apresentada por Valéria Uelquer, da Sociedade Gaúcha de Proctologia. A especialista abordou situações em que sinais e sintomas podem estar relacionados a infecções sexualmente transmissíveis e reforçou a importância de identificar oportunidades de testagem e orientação. A perspectiva da Urologia foi trazida por Ana Francisca Mazzotti, da Sociedade Brasileira de Urologia, com atenção para o papel do especialista no atendimento de homens e na construção de estratégias de cuidado menos fragmentadas. A mesa também contou com a visão da Ginecologia, apresentada por Regis Kreichtmann, da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul (SOGIRGS), destacando a importância do acompanhamento regular, da prevenção e da abordagem de saúde sexual e reprodutiva. Já o dermatologista Renan Bonamigo, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD-RS), tratou da contribuição da Dermatologia na identificação de manifestações cutâneas que podem auxiliar no diagnóstico de infecções e no encaminhamento para cuidado especializado.
Programa Saúde Mais
Ainda dentro da proposta de integração, a palestrante Bárbara Mendes, de Porto Alegre, apresentou o Programa Saúde Mais (Oncotrata). Em sua fala, detalhou o Protocolo Vida como uma estratégia para ampliar o acesso a terapias preventivas injetáveis, com foco em segurança, rastreabilidade e cuidado contínuo. A proposta conecta dois eixos principais, a saúde óssea e a PrEP injetável, dentro de um modelo que busca evitar a banalização do uso dessas terapias e garantir acompanhamento especializado. Entre os pilares destacados estão segurança em cada etapa, rastreabilidade do medicamento à aplicação, cuidado longitudinal, qualidade assistencial e impacto na prevenção.
“O Protocolo Vida foi pensado para ampliar o acesso a terapias preventivas injetáveis sem perder de vista aquilo que é essencial no cuidado: segurança, qualidade e acompanhamento contínuo”, afirmou Bárbara Mendes.
Doenças fúngicas invasivas foram destaque técnico
A programação também teve uma série de atrações na Sala 2 dedicada às doenças fúngicas invasivas, com moderação de Alessandro Pasqualotto, do Rio Grande do Sul. O bloco abordou infecções graves que exigem suspeita clínica, diagnóstico rápido e tratamento adequado, especialmente em pacientes imunossuprimidos, hospitalizados ou com maior risco de complicações.
A médica infectologista Tarsila Viecelli destacou, durante a aula sobre histoplasmose, as limitações dos métodos diagnósticos tradicionais, como cultura, microscopia, histopatologia e sorologia. Ela ressaltou que a demora no crescimento em cultura, a necessidade de amostras invasivas e a baixa sensibilidade em alguns cenários podem atrasar a definição clínica, especialmente em casos graves e em pacientes imunocomprometidos. “O resultado é que pacientes podem morrer esperando o diagnóstico”, alertou
O palestrante Gregory Medeiros discutiu candidemia em 2026, com foco no posicionamento dos antifúngicos e nas novidades terapêuticas. O palestrante Diego Falci encerrou o bloco com a abordagem sobre fungos filamentosos, do diagnóstico laboratorial à escolha do antifúngico.
Redação: Marcelo Matusiak
Marcelo Roxo Matusiak
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