quinta-feira, 21 de maio de 2026
Dia dos Namorados: por que sofremos tanto por amor? [ARTIGO]
Amor não dói
Uma visão disruptiva sobre a emoção mais desejada (e mais mal compreendida) da experiência humana
Por Deborah Dubner*
Você cresceu ouvindo sertanejo de sofrência, pop melancólico e baladas cheias de coração partido. Conhece alguém que chorou tanto por um relacionamento que achou que não sobreviveria. Sofreu por amor na adolescência e nunca esqueceu. E provavelmente, ao ler este título, pensou: “Até parece”.
Há séculos somos atravessados por narrativas culturais que associam amor à dor: “amar é sofrer”, “amar é sacrifício”, “morrer de amor”. Mas a ciência começa a apontar para outra direção. O amor, enquanto emoção, tende a ampliar a vida, não a diminuí-la.
Quando sentimos amor, o corpo responde imediatamente. O olhar ilumina, o sorriso aproxima, o peito expande. Pela lente da Neurociência, emoções positivas fortalecem capacidades físicas, emocionais e sociais. Amor, portanto, não drena energia. Ele favorece vitalidade, vínculo e abertura ao outro.
Então, o que dói? Dói o que ainda não é amor: a rejeição, os vínculos inseguros, a ausência, a traição, a não reciprocidade, o abandono, a violência, a solidão. Sofremos quando nos sentimos desconectados, ameaçados ou excluídos. Em geral, emoções dolorosas nos encolhem. O amor, ao contrário, nos expande.
No livro Amor 2.0, a psicóloga e pesquisadora Barbara Fredrickson apresenta descobertas científicas sobre os impactos do amor no corpo e na mente. Em suas pesquisas sobre emoções positivas e psicofisiologia, ela afirma que o amor “fornece energia para o sistema e o coloca em movimento”. Quanto mais experiências de amor vivenciamos, maiores tendem a ser nossa abertura emocional, resiliência, sabedoria e capacidade de conexão.
Mas existe um desafio importante. Estamos vivendo um tempo de exaustão emocional, relações frágeis e crescente indiferença social. Já sabemos onde a violência e a desconexão podem nos levar.
Talvez a pergunta não seja apenas “como encontrar amor”, mas como aprender a cultivá-lo no cotidiano. Como criar mais pontes do que muros? Fortalecer vínculos sem perder a si mesmo? Desenvolver amor-próprio apesar do medo e da culpa?
A ciência oferece uma perspectiva esperançosa para essas questões. A neuroplasticidade mostra que o cérebro humano mantém, ao longo da vida, a capacidade de reorganizar conexões e recriar rotas neurais. Sob essa visão, o amor pode ser cultivado, ampliado e transformado. E, talvez por isso, seja tão importante compreender o que a ciência do amor tem a nos oferecer.
O amor funciona como um nutriente biológico e afetivo. Por isso, é recomendável gerar pequenas micro conexões no cotidiano: um olhar atento, uma escuta genuína, um gesto de cuidado, uma presença verdadeira. São estas escolhas intencionais, simples e frequentes que vão impactar positivamente seu corpo e ampliar suas experiências de amor.
*Deborah Dubner é psicóloga e escritora, autora de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia, com uma boa dose de poesia. Palestrante TEDx, especialista em Neurociência e Psicologia Positiva, é também graduada em Ciência da Felicidade e professora de pós-graduação em Motivação e Resiliência.
Genielli Rodrigues
Assessora de imprensa
www.lcagencia.com.br/
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