sábado, 30 de maio de 2026
De ex-fumante a Ironman: médico goiano disputa uma das provas mais duras do mundo
ESPORTES
De ex-fumante a Ironman: médico goiano encara um dos maiores desafios do esporte mundial em Florianópolis
Após perder 17 quilos, abandonar o cigarro e conquistar vaga para o Mundial de Ironman 70.3 na França, cirurgião plástico, Hugo Santos Vieira, disputa o Ironman Brasil Full neste domingo (31)
Quando cruzar a linha de largada do Ironman Brasil, no próximo dia 31 de maio, em Jurerê Internacional, Florianópolis (SC), o médico cirurgião plástico, Hugo Santos Vieira, não estará apenas iniciando uma das provas mais difíceis do planeta. Estará celebrando uma transformação de vida construída ao longo dos últimos anos.
Ex-fumante, ex-etilista e 17 quilos mais leve, Hugo será um dos atletas que enfrentarão os 226 quilômetros do Ironman Full, prova composta por 3,8 quilômetros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e 42,2 quilômetros de corrida, equivalente a uma maratona completa após horas de esforço físico extremo.
A competição é considerada uma das mais tradicionais e exigentes do calendário mundial do triatlo, reunindo milhares de atletas de diferentes países em busca da superação dos próprios limites.
Para Hugo, no entanto, o maior desafio não estará necessariamente no percurso montado à beira-mar de Florianópolis. “O ciclo do Ironman é mais difícil do que a prova. No dia da competição eu vou estar cercado por amigos, conhecidos e, principalmente, pela minha família. Minha filha, minha irmã e pessoas que amo estarão lá me apoiando. Essa energia positiva encurta qualquer distância”, afirma.
Segundo ele, a verdadeira batalha acontece nos meses que antecedem a largada. “Os treinos são momentos de reflexão e muita disciplina. São horas e horas sozinho. Muitas vezes no frio da madrugada, outras sob o sol forte. Chegamos a passar cinco ou seis horas em cima da bicicleta e depois ainda correr por mais duas ou três horas. É um processo que leva o corpo ao limite”, relata.
Durante a preparação, Hugo enfrentou situações comuns entre triatletas de longa distância, como a perda de unhas dos pés e lesões provocadas pelo longo período pedalando. Nada, porém, que comprometesse sua jornada. “Perdi algumas unhas, tive alguns ralados, mas isso faz parte do processo. O mais importante é que consegui atravessar todo o ciclo saudável e com energia para chegar ao grande dia”, conta.
Classificação para o Mundial
A participação no Ironman Brasil acontece poucas semanas após outro resultado expressivo na trajetória esportiva do médico.
Em abril deste ano, Hugo disputou o Ironman 70.3 Brasília e completou a prova em 4h36min, resultado que lhe garantiu classificação para o Campeonato Mundial de Ironman 70.3, que será realizado nos dias 12 e 13 de setembro, em Nice, na França.
A conquista reforçou uma rotina construída com disciplina e constância, conciliando a intensa agenda profissional da medicina com treinos diários de alto rendimento.
“O triatlo me ensinou muito mais do que esporte. Me trouxe disciplina, resiliência, foco, autoconhecimento e a capacidade de superar limites que eu nem imaginava ter.”
Uma transformação de vida
A história de Hugo chama atenção justamente por fugir do perfil tradicional dos atletas de endurance. Até poucos anos atrás, ele mantinha hábitos que hoje parecem incompatíveis com o universo do Ironman. “Fui tabagista até seis anos atrás e também consumia álcool. Quando olho para trás e vejo onde estou hoje, parece inacreditável”, descreve.
Foi no esporte que encontrou uma nova direção. Ao abandonar antigos hábitos, adotar uma rotina saudável e iniciar a prática do triatlo, Hugo passou por uma transformação física e emocional que hoje compartilha como exemplo para pacientes, amigos e familiares. “Eu encontrei no triatlo uma forma de me tornar uma pessoa melhor. Conheci meu corpo, aprendi sobre disciplina e superação. Eu chamo esse processo de cura. Devo isso a Deus. Foi Ele quem colocou o triatlo na minha vida”, revela.
Agora, diante do maior desafio esportivo de sua trajetória, Hugo leva para Florianópolis não apenas a expectativa de completar um Ironman, mas a certeza de que a maior vitória já foi conquistada muito antes da linha de chegada: a transformação da própria vida.
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