segunda-feira, 25 de maio de 2026

Alta do bezerro força pecuária de corte a investir em eficiência para manter rentabilidade​

Alta do bezerro força pecuária de corte a investir em eficiência para manter rentabilidade
Para o zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, o novo ciclo da pecuária exige mais produtividade, gestão financeira e intensificação dos sistemas de recria e engorda A valorização do bezerro no mercado brasileiro tem mudado a estratégia das fazendas de recria e engorda em todo o país. Com o principal custo do sistema cada vez mais elevado, produtores passaram a depender de eficiência produtiva, gestão financeira e maior produtividade por hectare para manter a rentabilidade da operação. Segundo o zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, o atual ciclo da pecuária exige uma mudança de mentalidade dentro das propriedades rurais. “Hoje o produtor não consegue mais depender apenas da valorização da arroba. O foco passou a ser produzir arrobas com máxima eficiência, reduzindo desperdícios, acelerando ganho de peso e aumentando o giro dos animais dentro da fazenda”, afirma. Com o bezerro mais caro, a compra da reposição se tornou um dos pontos mais estratégicos da operação. A recomendação é priorizar lotes homogêneos, avaliar genética, potencial de desempenho e capacidade de ganho de peso dos animais. “Muitos pecuaristas ainda olham apenas o preço de compra. Mas um animal barato, com baixo desempenho ou atraso no desenvolvimento, acaba custando mais caro no final do ciclo. Hoje o indicador mais importante é o custo da arroba produzida”, explica Fernando Carlos. A intensificação dos sistemas produtivos também ganhou força neste cenário. O aumento da produção de arrobas por hectare, aliado ao manejo eficiente das pastagens, correção de solo, adubação estratégica e suplementação nutricional adequada, tem sido uma das principais ferramentas para melhorar os resultados da atividade. Outro movimento observado nas fazendas mais tecnificadas é a redução da idade de abate. Sistemas como semiconfinamento, TIP (Terminação Intensiva a Pasto) e confinamento estratégico passaram a ser adotados para acelerar a terminação dos animais e reduzir o tempo de permanência no sistema. “Quanto mais tempo o animal fica na fazenda, maior é o custo financeiro, o consumo de pasto e o risco de mercado. Por isso, muitas operações eficientes trabalham hoje com abate entre 20 e 24 meses e altas taxas de ganho diário”, destaca. Além da eficiência produtiva, o controle financeiro se tornou indispensável para preservar margens em um cenário de custos elevados. Indicadores como ganho médio diário, lotação por hectare, conversão alimentar, custo da diária animal e margem líquida da operação passaram a integrar o acompanhamento rotineiro das propriedades. Fernando Carlos ressalta ainda que ferramentas de proteção de margem, como contratos a termo, mercado futuro e travas de insumos e arroba, vêm sendo cada vez mais utilizadas pelos produtores. “Os sistemas que mais sofrem neste cenário são aqueles com baixa produtividade, pastagens degradadas e ausência de gestão de custos. Já as fazendas intensificadas, com maior controle de dados e foco em produtividade, conseguem atravessar melhor os ciclos de alta do bezerro”, conclui. Entre as estratégias mais presentes nas operações consideradas eficientes atualmente estão a recria acelerada, suplementação estratégica, terminação intensiva de curta duração, alto giro de animais e monitoramento constante dos indicadores zootécnicos e financeiros. @nutri.ganho

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