quarta-feira, 1 de abril de 2026
Ginecomastia NÃO É gordura
Ginecomastia não é gordura: a confusão que atrasa o diagnóstico masculino
Aumento das mamas em homens ainda é tratado como tabu e, muitas vezes, confundido com excesso de gordura
O problema é que ginecomastia não é gordura. É crescimento do tecido glandular mamário, uma condição médica que pode ter causas hormonais, medicamentosas ou metabólicas e que, quando ignorada, pode trazer impactos físicos e emocionais relevantes. O alerta é do médico cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Pedro Westphalen.
Para o cirurgião plástico, o principal obstáculo ainda é o atraso na procura por avaliação especializada. “Muitos homens passam anos acreditando que têm apenas gordura localizada no tórax. Fazem dieta, emagrecem, treinam intensamente e o volume mamário permanece. Isso acontece porque, na ginecomastia verdadeira, estamos falando de tecido glandular, e não de gordura”, explica o médico.
Gordura ou glândula? Entenda a diferença:
Há dois quadros distintos:
Pseudoginecomastia): acúmulo apenas de gordura na região mamária, comum em pessoas acima do peso, sem aumento da glândula.
Ginecomastia verdadeira: proliferação do tecido glandular mamário, podendo estar associada a desequilíbrios hormonais, uso de anabolizantes, alguns antidepressivos, antiandrogênicos, álcool em excesso, doenças hepáticas ou alterações na puberdade.
Ginecomastia Mista: é quando ocorre a combinação de aumento da glândula e acúmulo de gordura.
O diagnóstico é clínico, complementado por exames de imagem, como ultrassonografia mamária. Em alguns casos, investigação hormonal é necessária. “Sem avaliação adequada, o homem pode insistir em estratégias que não resolvem o problema. E isso gera frustração, insegurança e impacto direto na autoestima”, pontua Dr. Pedro.
A demora em decidir: quais as repercussões?
O atraso na busca por tratamento pode trazer consequências como sofrimento psicológico prolongado, evitação de atividades físicas ou exposição social (praia, piscina, academia), uso contínuo de faixas compressivas improvisadas e/ou manutenção de causas subjacentes não investigadas.
Além disso, em casos mais avançados, o tecido glandular pode se tornar mais fibroso, tornando a cirurgia tecnicamente mais complexa. “Quanto antes o paciente entende o diagnóstico, mais simples tende a ser a abordagem. A informação é libertadora nesse contexto”, afirma Pedro Westphalen.
Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia é indicada quando aumento mamário persiste após a puberdade e quando não há regressão espontânea. Além disso, quando existe desconforto físico ou emocional e quando a causa hormonal já foi estabilizada.
O procedimento
Pode envolver retirada direta da glândula por pequena incisão peri-areolar ou lipoaspiração (associada, ou não, à utilização de aparelhos de retração de pele para melhorar a possível flacidez cutânea residual, sendo o Ignite Quantum o mais utilizado hoje). A técnica é personalizada conforme o tipo e o grau da ginecomastia, além da qualidade da pele.
Pós-operatório: o que esperar?
De acordo com o Dr. Pedro Westphalen, o pós-operatório costuma ser bem tolerado quando realizado por especialista habilitado. “É uma cirurgia com alto índice de satisfação, desde que haja indicação correta e alinhamento realista de expectativas”, reforça o cirurgião.
Embora a ginecomastia seja benigna na maioria dos casos, todo aumento mamário masculino precisa ser avaliado. Em situações raras, pode estar associado a câncer de mama masculino, condição incomum, mas possível. O especialista reforça que falar sobre o tema é parte do cuidado.
“O homem ainda procura menos assistência médica preventiva. Ao esclarecer que ginecomastia é uma condição tratável e comum, ajudamos a quebrar o silêncio e encurtar o caminho até o diagnóstico correto.”
Segundo dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), a cirurgia de correção de ginecomastia, assim como a lipoaspiração, está entre os procedimentos mais realizados em homens no mundo, mantendo crescimento progressivo nos últimos anos, especialmente após a pandemia, quando aumentou a procura masculina por cirurgias corporais. No Brasil, a demanda acompanha essa tendência global, consolidando o país como um dos líderes mundiais em cirurgia plástica.
Sobre o Dr. Pedro Westphalen
Dr. Pedro Westphalen é cirurgião plástico com formação sólida em cirurgia geral e especialização reconhecida pelo MEC e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Com atuação focada em cirurgia estética e reparadora, desenvolve um trabalho pautado por planejamento individualizado, segurança técnica e resultados naturais. Seu posicionamento profissional valoriza informação clara, critérios médicos rigorosos e acompanhamento próximo do paciente, consolidando uma prática contemporânea que alia precisão cirúrgica e responsabilidade ética. Integra o corpo clínico de cirurgiões plásticos do Hospital Blanc em Porto Alegre e São Paulo.
Jornalista responsável:
Lourenço Marchesan
Camejo Comunicação
camejo@camejo.com.br
camejo.com.br
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