quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Carnaval: expressão emocional ou fuga silenciosa?
Carnaval: expressão emocional ou fuga silenciosa?
Psicólogo analisa os impactos da festa na saúde mental
Para alguns, o Carnaval é sinônimo de alegria, liberdade e conexão. Para outros, o período traz incômodo, excesso e até sofrimento emocional. Essa ambivalência mostra que a festa vai além da folia: trata-se de um fenômeno psicológico coletivo que escancara diferentes formas de lidar com as próprias emoções.
Segundo o psicólogo clínico Luti Christóforo, o Carnaval pode funcionar como uma válvula de escape emocional. “Há uma flexibilização das regras sociais e da rotina, o que pode gerar alívio, descanso mental e sensação de pertencimento para muitas pessoas”, explica. Nesses casos, a música, a dança e as fantasias se tornam meios legítimos de expressão do eu, permitindo que emoções reprimidas encontrem espaço de forma saudável.
No entanto, o especialista alerta que nem sempre a vivência é positiva. O consumo abusivo de álcool e drogas, comum nesse período, pode indicar uma tentativa de anestesiar dores internas, como tristeza, solidão ou vazio emocional. “Esses excessos reduzem o senso crítico, aumentam a impulsividade e favorecem comportamentos de risco, que muitas vezes resultam em culpa, vergonha e sofrimento psíquico após a festa”, afirma Christóforo.
Outro ponto de atenção são as relações afetivas e sexuais impulsivas. Quando ocorrem sem cuidado, consentimento claro ou proteção, podem gerar consequências emocionais importantes, como ansiedade, confusão afetiva e sensação de desvalorização. Em situações mais graves, há risco de vivências traumáticas, especialmente quando limites não são respeitados.
Com o fim do Carnaval, é comum surgir a chamada “ressaca emocional”, marcada por tristeza, irritabilidade ou vazio. Para o psicólogo, esse contraste revela que, em alguns casos, a festa funcionou mais como fuga do que como celebração. Ainda assim, ele reforça que não existe uma forma certa ou errada de viver o período. “O que diferencia uma experiência saudável de uma prejudicial é a motivação interna e a presença de limites”, destaca.
Luti Christóforo lembra também que há quem sofra justamente por não se identificar com o Carnaval. Em uma cultura que valoriza a alegria obrigatória, não gostar da festa pode gerar sensação de inadequação e isolamento, o que também merece acolhimento e reflexão.
Mais do que julgar a festa, o especialista propõe um olhar para dentro. “A pergunta não é se o Carnaval é bom ou ruim, mas o que ele representa emocionalmente para cada pessoa. Essa reflexão pode ser uma oportunidade valiosa de autoconhecimento”, conclui.
Serviço: Luti Christóforo
Psicólogo clínico
(41) 99809-8887
@luti.psicologo
lutipsicologo@gmail.com
www.youtube.com/@lutipsicologo
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