quarta-feira, 15 de abril de 2026
Surto sanitário na China pode impactar mercado global da carne bovina, avalia especialista
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Possível redução na produção de proteína no país asiático acende alerta no setor pecuário e pode influenciar preços internacionais
Relatos de mortandade de rebanhos de iaques na província de Qinghai, na China, têm chamado a atenção do mercado pecuário internacional. Até o momento, não há laudo oficial divulgado pelo Ministério da Agricultura chinês, mas medidas adotadas pelo governo local, como restrições logísticas e controle no trânsito de animais, indicam preocupação com a situação sanitária.
Segundo o consultor financeiro e zootecnista Fabiano Tavares, esse tipo de resposta por parte das autoridades não costuma ocorrer de forma preventiva. “No mercado pecuário, esse tipo de resposta não acontece por precaução simples. Ela ocorre quando o risco é concreto”, afirma.
Projeções da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) indicam que a China pode registrar uma queda entre 12% e 15% na produção interna de proteína em 2026. Para Tavares, o impacto vai além de uma questão sanitária. “Não se trata apenas de uma crise sanitária, mas de um choque de oferta em um país que já é estruturalmente dependente de importações”, explica.
Nesse contexto, a tendência é de aumento na demanda chinesa por proteína no mercado internacional. “Quando a China perde produção, ela não reduz consumo, ela aumenta compras”, destaca o especialista.
O Brasil, um dos principais exportadores de carne bovina do mundo, pode ser diretamente impactado por esse movimento. De acordo com Tavares, o país já apresenta um cenário de firmeza no mercado físico, com preços elevados, escalas de abate encurtadas e demanda externa consistente. “A eventual confirmação de uma quebra sanitária relevante na China tende a intensificar esse movimento”, diz.
Ainda segundo o consultor, o cenário pode alterar a dinâmica recente das exportações. “Em um contexto de risco sanitário interno, a prioridade chinesa deixa de ser controle de volume e passa a ser segurança alimentar”, afirma.
Para o especialista, eventos sanitários dessa magnitude historicamente provocam mudanças mais duradouras no mercado. “O que está em jogo agora não é apenas o preço da arroba no curto prazo, mas a redefinição do patamar de valor da proteína bovina no mercado internacional”, avalia.
Diante desse cenário, Tavares ressalta a importância de uma análise estratégica por parte dos produtores. “O pecuarista brasileiro se vê diante de um momento que exige leitura técnica, estratégia e disciplina comercial”, conclui.
@fabianotavares0
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