terça-feira, 28 de abril de 2026
Avanço do confinamento impulsiona produção de ração e reforça transformação da pecuária brasileira
Avanço do confinamento impulsiona produção de ração e reforça transformação da pecuária brasileira
Com mais animais em sistemas intensivos, demanda por nutrição cresce e amplia o uso de tecnologia e gestão nas fazendas
O crescimento da produção de ração no Brasil reflete uma mudança estrutural na pecuária, cada vez mais baseada em sistemas intensivos e no uso de tecnologia. Dados do Censo do Confinamento, do Cepea Esalq USP, indicam que o número de animais confinados passou de 7,76 milhões de cabeças em 2024 para 9,25 milhões em 2025, com projeção de se aproximar de 10 milhões em 2026.
O avanço do confinamento é apontado como o principal fator por trás da expansão da indústria de nutrição animal. Diferentemente do sistema extensivo, a terminação em confinamento depende diretamente do uso de ração, o que eleva o consumo por animal e fortalece toda a cadeia produtiva ligada à alimentação.
Esse movimento ocorre em paralelo ao aumento do abate de bovinos, que cresceu mais de 8% em 2025, indicando maior volume de animais em terminação e um giro mais acelerado da produção. Ao mesmo tempo, a demanda por proteína animal segue aquecida, impulsionada tanto pelo mercado interno quanto pelas exportações, que continuam em níveis elevados.
A combinação desses fatores tem levado a uma intensificação da pecuária brasileira, com menor uso de área e maior produtividade por animal. Nesse cenário, a nutrição deixa de ser apenas um suporte e passa a ocupar papel estratégico na eficiência da produção, influenciando diretamente o desempenho e o resultado econômico das propriedades.
A melhora nos custos de insumos, especialmente grãos como milho e soja, também contribui para esse avanço ao oferecer maior previsibilidade ao produtor. Somado a isso, o atual ciclo favorável da pecuária, marcado pela recomposição de rebanho e expansão da produção, tende a sustentar o crescimento do consumo de ração nos próximos anos.
Dentro desse contexto, empresas como a NutriGanho têm ampliado sua atuação ao integrar nutrição e gestão como parte da estratégia produtiva. A abordagem considera não apenas o desempenho animal, mas também os custos e as condições de mercado, acompanhando a tendência de profissionalização da atividade.
Segundo Fernando Carlos, a intensificação exige uma mudança na forma de conduzir o negócio.
“O crescimento do confinamento aumenta naturalmente a demanda por ração, mas o ponto central é como essa nutrição é utilizada. Hoje, não basta alimentar bem, é preciso entender o custo, o momento de mercado e o impacto disso na margem do produtor”, afirma.
Ele destaca que o uso mais eficiente da nutrição está diretamente ligado à capacidade de tomada de decisão dentro da fazenda.
“A pecuária está cada vez mais técnica. Quando o produtor passa a trabalhar com informação e planejamento, ele consegue aproveitar melhor esse cenário favorável e reduzir riscos”, completa.
A tendência, segundo especialistas do setor, é que o avanço da nutrição animal continue acompanhando a evolução da pecuária brasileira, consolidando um modelo mais intensivo, eficiente e orientado por dados.
@nutri.ganho
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