sexta-feira, 20 de março de 2026

Depois das canetas emagrecedoras, o que sobra é a pele: o novo desafio da cirurgia plástica

Estética Depois das canetas emagrecedoras, o que sobra é a pele: o novo desafio da cirurgia plástica Popularização de medicamentos para perda de peso muda perfil dos pacientes e reforça o papel médico na indicação segura de tratamentos
O avanço no uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil está transformando não apenas a forma como as pessoas perdem peso, mas também o tipo de demanda que chega aos consultórios de cirurgia plástica. Medicamentos à base de agonistas de GLP-1, inicialmente indicados para diabetes tipo 2, passaram a ser amplamente utilizados com finalidade estética, impulsionados pela promessa de emagrecimento rápido e menos invasivo. O resultado é um novo perfil de paciente: mais magro, porém frequentemente insatisfeito com o próprio corpo. Isso porque a perda acelerada de peso, especialmente sem acompanhamento adequado, costuma vir acompanhada de flacidez e excesso de pele, um efeito colateral que não pode ser resolvido com medicamentos. “A gente observa cada vez mais pacientes que conseguem emagrecer, mas passam a enfrentar outro incômodo: a sobra de pele. Nesses casos, a cirurgia plástica deixa de ser apenas estética e passa a ter um papel funcional e reparador”, avalia o médico cirurgião plástico, Hugo Santos Vieira. Nem todo emagrecimento é saudável Apesar dos benefícios comprovados no controle metabólico, o uso indiscriminado dessas medicações levanta um alerta entre especialistas. A perda de peso sem orientação pode provocar redução de massa muscular, deficiências nutricionais e até efeito rebote. Além disso, há casos em que a rapidez do emagrecimento não permite que a pele acompanhe a nova estrutura corporal. Nesse cenário, o papel do médico ganha ainda mais relevância. Cabe ao profissional avaliar não apenas o peso, mas o estado geral de saúde, a composição corporal e a estabilidade do paciente antes de qualquer indicação, seja clínica ou cirúrgica. Quando a cirurgia passa a ser indicada Diferentemente do que muitos imaginam, a indicação de cirurgia plástica não está vinculada a um número específico na balança, mas a critérios clínicos. De forma geral, o procedimento pode ser considerado quando há insatisfação do paciente. Isso, geralmente, ocorre após perda significativa de peso (acima de 10% a 15% do peso corporal) associada a excesso de pele e impacto na qualidade de vida. Entre os procedimentos mais indicados estão abdominoplastia, lifting de braços e coxas, além de cirurgias mamárias, como mastopexia. Nem tudo se resolve com bisturi Por outro lado, nem todos os pacientes precisarão de cirurgia. Em quadros mais leves de flacidez, especialmente em pessoas mais jovens ou com menor perda de peso, tratamentos menos invasivos podem trazer bons resultados. Tecnologias como bioestimuladores de colágeno, radiofrequência, fios de sustentação, Morpheus e ultrassom microfocado ajudam a melhorar a qualidade da pele e retardar a necessidade de intervenção cirúrgica. Ainda assim, especialistas reforçam que esses métodos têm limitações e não substituem a cirurgia em casos de excesso significativo de pele. Um novo papel para a cirurgia plástica A popularização das canetas emagrecedoras não reduz a importância da cirurgia plástica, ela redefine seu papel. Se antes muitos pacientes buscavam o procedimento como uma alternativa para emagrecer, hoje a cirurgia surge como etapa complementar, responsável por devolver contorno corporal, funcionalidade e autoestima após a perda de peso. “Mais do que uma questão estética, trata-se de saúde”, completa Hugo Santos. Informação como estratégia de prevenção Diante da rápida disseminação desses medicamentos, especialistas defendem que o acesso à informação de qualidade é fundamental para evitar riscos e decisões precipitadas. O emagrecimento não deve ser encarado como um processo isolado, mas como parte de um cuidado mais amplo com o corpo. “Não existe solução única. Cada paciente precisa ser avaliado de forma individual, com responsabilidade. O objetivo não é apenas perder peso, mas preservar a saúde e alcançar um resultado equilibrado”, conclui o cirurgião.

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