sábado, 14 de fevereiro de 2026

O aumento do câncer de pele no Brasil e as regiões com mais casos

O aumento do câncer de pele no Brasil e as regiões com mais casos * Patrícia Rondon Gallina Menegassa O câncer de pele desponta de forma inequívoca como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, refletindo tanto a peculiaridade do clima tropical quanto lacunas persistentes em prevenção e informação. Os tumores cutâneos não melanoma serão os mais frequentes no país, com cerca de 263 mil novos casos esperados anualmente entre 2026 e 2028, segundo estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), um número que supera muitas neoplasias comuns combinadas e reafirma um padrão epidemiológico já observado há anos. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia mostram que os diagnósticos saltaram de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024, um aumento superior a 17 vezes em apenas uma década. Essa expansão, embora em parte possa refletir maior atenção médica e registros mais precisos, indica que a doença está longe de ser um problema residual ou restrito a pequenos grupos populacionais. Geograficamente, o padrão é claro: as regiões Sul e Sudeste concentram as maiores taxas de incidência. Em 2024, o Espírito Santo (Sudeste) e Santa Catarina (Sul) lideraram o ranking nacional, com 139,37 e 95,65 casos por 100 mil habitantes, respectivamente. Ao mesmo tempo, estados das regiões Norte e Nordeste mantêm índices menores, embora não estejam imunes, e já apresentam sinais de crescimento nesses locais também. Há razões biológicas, ambientais e sociais para essa distribuição. A radiação ultravioleta intensa e constante no território brasileiro é um fator fundamental no desenvolvimento de lesões cutâneas malignas. Somado a isso, a predominância de uma população com pele clara em algumas regiões aumenta a vulnerabilidade aos danos solares, já que a menor melanina reduz a proteção natural contra os raios UV. Entretanto, não se pode reduzir a explicação aos fatores naturais. Há também uma dimensão cultural que favorece a exposição inadequada ao sol, do “bronzeado saudável” à falta de hábito no uso diário de proteção solar. Essa combinação de fatores contribui para que muitos casos sejam apenas diagnosticados tarde, quando já demandam tratamentos mais invasivos ou apresentam risco maior de complicações. É importante destacar os diferentes perfis do câncer de pele: enquanto os tumores não melanoma são altamente incidentes, sua letalidade é relativamente baixa quando diagnosticados precocemente. Já o melanoma, embora represente uma pequena fração dos casos, é responsável pela maior parte das mortes por câncer de pele e exige atenção especial por sua capacidade de metastatizar. Frente a esse cenário, a prevenção aparece não apenas como estratégia de saúde individual, mas como necessidade coletiva. Campanhas de conscientização sobre o uso diário de protetor solar, a importância de roupas que ofereçam barreira física e a necessidade de exame dermatológico regular precisam ser intensificadas, especialmente em regiões com maior incidência. Em última análise, os números do câncer de pele no Brasil não podem ser vistos apenas como estatísticas frias. Eles são um espelho de comportamentos, desigualdades no acesso à saúde e lacunas persistentes na educação em saúde pública. A exposição solar faz parte da vida brasileira, mas a proteção deve ser parte da nossa cultura. Ignorar isso é continuar a permitir que uma doença evitável se transforme em um sofrimento desnecessário.
* Patrícia Rondon Gallina Menegassa é Farmacêutica, Especialista em Farmácia Estética, Mestre em Ciências Farmacêuticas e professora da Uninter.

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