terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Venezuela e Bolívia enfrentam desafios energéticos e políticos que moldam o cenário latino-americano em 2026

Venezuela e Bolívia enfrentam desafios energéticos e políticos que moldam o cenário latino-americano em 2026
Crises energéticas e decisões institucionais passadas voltam ao centro do debate em 2026 após a captura de Nicolás Maduro e a queda de produção em países produtores da região O ano de 2026 começou com pressão sobre países da América Latina que possuem setores energéticos estratégicos, em especial Venezuela e Bolívia, cujas decisões políticas adotadas ao longo das últimas décadas seguem produzindo efeitos econômicos, institucionais e diplomáticos relevantes. Na Venezuela, a situação ganhou um novo capítulo já nos primeiros dias do ano, após uma operação conduzida por forças dos Estados Unidos em Caracas que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e na transferência de ambos para os Estados Unidos, onde enfrentam acusações federais em Nova York, incluindo narcotráfico e conspiração relacionadas ao tráfico de drogas. O episódio aprofundou a instabilidade institucional de um país que já enfrentava grave deterioração econômica e produtiva. Esse cenário atual se soma a um processo de perda estrutural da capacidade energética venezuelana. No fim da década de 1990, a Venezuela produzia cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia. Em 2026, a produção permanece em torno de 700 a 800 mil barris diários, uma redução superior a 2,5 milhões de barris por dia. Considerando preços médios internacionais, essa queda representa dezenas de bilhões de dólares por ano em receita que deixou de ser gerada. Especialistas apontam que a retração não decorre da ausência de reservas, mas de mudanças institucionais iniciadas ainda nos anos 1970, intensificadas com processos de nacionalização e expropriação ao longo dos governos seguintes. Até meados da década de 1970, empresas estrangeiras haviam investido o equivalente a dezenas de bilhões de dólares, em valores atualizados, no setor petrolífero venezuelano, contribuindo com capital, tecnologia e escala produtiva. A ruptura desses contratos resultou em perda de investimento, dificuldade operacional e desorganização da cadeia energética. Na Bolívia, o contexto é distinto, mas segue uma lógica semelhante. O país atingiu seu pico de produção de gás natural em 2014, com cerca de 62 milhões de metros cúbicos por dia. Em 2026, a produção gira entre 35 e 40 milhões de metros cúbicos diários, uma queda próxima de 40%. A redução tem impacto direto sobre a arrecadação estatal e sobre os contratos de exportação com países vizinhos. Mudanças contratuais adotadas a partir de 2006 alteraram as condições de investimento no setor, afetando a previsibilidade jurídica e a capacidade de expansão da produção. A retração dos aportes ao longo dos anos seguintes dificultou a reposição de reservas e limitou o crescimento da oferta de gás, em um momento em que a demanda regional segue relevante. Para o zootecnista e consultor financeiro Fabiano Tavares, os casos da Venezuela e da Bolívia ajudam a ilustrar como decisões políticas em setores estratégicos produzem efeitos de longo prazo. “Recursos naturais não se transformam automaticamente em riqueza. Eles precisam de investimento contínuo, gestão eficiente e estabilidade institucional para gerar desenvolvimento sustentável”, afirma. Segundo Fabiano, a perda de previsibilidade afeta diretamente a disposição de empresas em assumir riscos de longo prazo, especialmente em setores intensivos em capital como petróleo e gás. “Quando o ambiente institucional se torna instável, o capital se retrai, e isso compromete produção, arrecadação, emprego e capacidade de crescimento”, observa. Em 2026, o cenário internacional amplia essa pressão. A demanda global por energia permanece elevada, e os mercados exigem segurança jurídica para viabilizar novos projetos. Sem essas condições, mesmo países com grandes reservas acabam ficando à margem das cadeias globais de investimento. A avaliação é que Venezuela e Bolívia expõem um padrão recorrente na América Latina, onde políticas energéticas são frequentemente tratadas como instrumentos de curto prazo. “Soberania não é afastar investimento, mas criar condições para que ele opere em favor do país e da sociedade”, resume o consultor. @fabianotavares0

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mounjaro melhora o sono? Entenda a relação entre peso e dormir bem

Mounjaro melhora o sono? Entenda a relação entre peso e dormir bem Medicamentos à base de tirzepatida ganham espaço no "projeto ver...