quarta-feira, 9 de abril de 2025

Uso de câmeras para multar motoristas com celular é legal, necessário e salva vidas, afirma especialista


 Uso de câmeras para multar motoristas com celular é legal, necessário e salva vidas, afirma especialista

 

Para advogado civilista e integrante do Mova-se Fórum de Mobilidade, Tomaz Lobo, tecnologia ajuda a compensar a falta de agentes e contribui para reduzir acidentes, desde que respeite os limites legais

 

O uso de câmeras de videomonitoramento para flagrar motoristas que utilizam o celular ao volante tem gerado debates em diversas cidades do país. De um lado, críticos alegam invasão de privacidade. De outro, defensores apontam a medida como essencial para promover a segurança no trânsito. Em Goiânia, o debate foi reacendido com o anúncio da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) de que serão utilizadas câmeras inteligentes, com giro 360° e detalhes a longa distância, para multar condutores de veículos que manuseiam aparelhos celulares ao volante. Desde o anúncio, já foram registradas quase cinco mil infrações, por meio do novo sistema. Apesar dos questionamentos, o advogado civilista e integrante do Mova-se Fórum de Mobilidade, Tomaz Lobo, garante que do ponto de vista jurídico, não há dúvidas: a prática é legal e regulamentada. 

 

“O uso de câmeras de monitoramento para flagrar motoristas utilizando o celular ao volante é legal e necessário, inclusive para que se dê cumprimento à própria lei”, afirma. Ele explica que a fiscalização por videomonitoramento está prevista no parágrafo 2⁰ do artigo 280 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e consolidada pela Resolução 909/22 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Ainda assim, o especialista avisa que há critérios técnicos a serem respeitados para garantir a validade das multas. “O uso de câmeras para aplicação de infrações pode ser feito desde que flagrado em tempo real por um agente de trânsito e em vias devidamente sinalizadas. Esses fatores têm sido os principais desafios para que as infrações sejam efetivas e não impliquem em futuras nulidades”, alerta. 

 

A discussão também envolve o direito à privacidade dos condutores. No entanto, segundo Tomaz, esse argumento não se sustenta juridicamente. “O condutor deve estar ciente de que nenhum direito é absoluto, nem mesmo o direito à privacidade. Em situações como a circulação em vias públicas, deve prevalecer a supremacia do interesse público em detrimento do privado”, assevera. Para o especialista, o impacto positivo vai além da punição, pois a simples possibilidade de ser multado já tem efeito preventivo. “Muitos motoristas, ao saberem que poderão ser autuados mesmo sem abordagem de um agente, são desestimulados a utilizar o celular enquanto dirigem e, aqui, a tecnologia tem o papel importante de sanar a deficiência de agentes de trânsito disponíveis para controlar o tráfego”, pontua. 

 

O perigo da distração 

 

A crescente preocupação com a prática de se utilizar o celular durante a condução de um veículo se sustenta nos números. Segundo a Organização Pan-americana da Saúde (Opas), os condutores que usam celulares enquanto dirigem têm cerca de quatro vezes mais chances de estarem envolvidos em um acidente, já que o uso do aparelho ao dirigir diminui os tempos de reação do condutor, na frenagem e na atenção aos sinais de trânsito, e dificulta que o motorista mantenha o veículo na pista correta e guarde as distâncias de segurança. O órgão destaca ainda que mesmo a opção de viva-voz nos veículos não é muito mais segura do que os telefones à mão e as mensagens de texto durante a direção aumentam consideravelmente o risco de um acidente. 

 

Nesse contexto, Tomaz Lobo ressalta que o videomonitoramento, sozinho, não é suficiente para transformar a cultura no trânsito. “Apenas a utilização de aparelhos eletrônicos ou equipamentos audiovisuais não é suficiente para coibir as infrações de trânsito. O poder público precisa investir massivamente em campanhas educativas para que, gradualmente, haja uma mudança cultural no comportamento do cidadão. E, aliadas às campanhas educativas, a fiscalização e aplicação de multas pelo poder público deve ser eficiente para que a própria lei não caia em descrédito. Pois, além da educação, é essencial garantir que a aplicação da lei seja eficaz e justa”, finaliza.  

 

Sobre o Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade @movaseforumdemobilidade       

       

O Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade foi criado em 2021 por especialistas em mobilidade urbana de diversas áreas, com o intuito de discutir e contribuir com soluções para a mobilidade do Brasil. O grupo, que começou com quatro integrantes e hoje conta com mais de 600 profissionais – entre técnicos, pesquisadores e professores do segmento no país –, tornou-se destaque em pesquisas e desenvolvimento de conhecimento sobre transporte público, pedestres, vias inteligentes e temas relacionados.    

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pele de Ana Paula Renault no BBB 26 expõe os segredos dos famosos para uma pele mais jovem

Pele de Ana Paula Renault no BBB 26 expõe os segredos dos famosos para uma pele mais jovem Rotinas de skincare, ativos inteligentes e cui...